Começou a juntar as peças de roupa como num resgate das tripas para o devido lugar.
Caso só estivesse, teria fumado, para ter uma companhia meramente calorosa. Em respeito aos que estavam do outro lado da porta, alheados da imensidão de dor sentida do lado de dentro, apenas cuidava para não escorregar no que das lágrimas chegava ao chão. E aquilo se lhe mostrou como o fundo do poço.
Pensou que, para sempre, a imagem do inferno lhe seria aquela:
seu niño
de branco
descalço
sentado entre hostis estranhos.
Jamais pensara que cores lhe agrediriam. Dissera que por ninguém se sujeitaria. E eis que, naquele momento, enquanto juntava as roupas se esforçando por admirar-lhes as cores, soube que iria. Dobrada a última peça, respirou fundo e olhou para a porta.
Em seguida,
girou a maçaneta e saiu,
em busca do vento.
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