Tons de verdes espraiados nas praças,
frio de chuva muita,
café servidor público depois das 15h.
Palavras confessadas na madrugada,
luz do sol antes das 7h,
casacos para tomar sorvete.
Longos percursos de ônibus
propositalmente fadados ao fracasso;
um jeito de manter as coisas em desordem,
só para deleitar o caos.
A vogal do seixo transparente,
o desengano de certos silêncios,
ruas datadas desafiando a memória,
almoço literário
e, quem sabe, música ao vivo no fim do domingo.
Estás em tudo.
Foram tantas as conspirações a favor
que cheguei a pensar que até mesmo aquilo fosse.
Não foi.
Vim
e intensas escapam gotas de tristeza;
vazam a minha rudeza:
como pude, de ti me perder?
No encontro de um pouso,
desejo haver um ponto
onde te possa ser convite.
Aceito
O que nos reservar as voltas dadas
Que seja de azul,
vento no cabelo,
sossego de chocolate,
sono até mais tarde,
saias a girar.
[ao presente de que me ausentei]
domingo, 18 de abril de 2010
domingo, 4 de abril de 2010
Na última grade da fruteira, colocou as revistas.
Pensou na mãe sempre repetindo que comida deveria ficar longe do chão e na prima, às costas dela, dizendo que, se assim fosse, quê seria das melancias? E as macaxeiras?
Aos poucos, tudo se punha no devido lugar.
O latido da cadela agonizante soava como a materialização da teimosia - além de não morrer, ela ficava ali, jogando na cara do mundo o sucesso de sua insistência em ficar viva. Lembrou da afirmativa associando teimosia e burrice. O que lhe estaria movendo, agora?
Nos tempos de cigarros e bares, talvez isso fosse pauta de debates acirrados. Por hora, simplesmente agradecia a chuva e a furadeira do vizinho, abafando o latido da cadela e o sentimento de paridade com ela, enquanto saboreava os pés no chão frio e limpo daquela nova morada.
Pensou na mãe sempre repetindo que comida deveria ficar longe do chão e na prima, às costas dela, dizendo que, se assim fosse, quê seria das melancias? E as macaxeiras?
Aos poucos, tudo se punha no devido lugar.
O latido da cadela agonizante soava como a materialização da teimosia - além de não morrer, ela ficava ali, jogando na cara do mundo o sucesso de sua insistência em ficar viva. Lembrou da afirmativa associando teimosia e burrice. O que lhe estaria movendo, agora?
Nos tempos de cigarros e bares, talvez isso fosse pauta de debates acirrados. Por hora, simplesmente agradecia a chuva e a furadeira do vizinho, abafando o latido da cadela e o sentimento de paridade com ela, enquanto saboreava os pés no chão frio e limpo daquela nova morada.
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