sábado, 28 de fevereiro de 2009

te esparramastes em mim
na forma de ausência



[Sem]

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

10dez08
Minha criança querida, retratos de infância para quem, depois de muito, vaga em busca da sua.

Quisera eu ter encontrado, como Amélie, uma caixinha com objetos que te fizessem recordar! Que as palavras de Manoel te tragam gosto de detergente, desenho de escola, colo de mãe.

Amo.
Mafalda

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A melhor caixa é você.
Ao mesmo tempo, como a achada pela Amélie e como a de Pandora, como a bolsa da Mary Poppins e a bolsinha com pó de pirlimpimpim da Sininho, como o pote ao final do arco-íris e o pote de doces da brincadeira junina.



[Criancices]

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Sono? Nenhum.
Talvez num tivesse notado, num fossem os pássaros.
Oito meses passados em revisão.
Tons de rosa e laranja no céu compõem
com o kirigami no vidro da janela
e o lençol na cama.

'Amanheceu é hora de dormir'

A trilha?
Um preto com um amarelo,
fazendo algo pelo que valeu a pena estar vivo pra ver,
como disse o chefe.
Revi a menina dançando,
enquanto postes se apagavam
e você repetia o gesto do desenho.

Assumo mundanidades
e o desejo pelo mais popular.
Ainda pensando nos outros -
quantos! quantos mais? -
deságuo um tanto.

Então,
o céu já vai azul e branco.



[Cedo]
'É tudo seu?'

Quase tudo.
O que não quer dizer que o 'meu tudo' sejam fatos.
Há o que eu crio.
Crio?
Crio, sim, ué.
Crio.

Porque o que tenho a botar pra fora é o que vivo. E o que crio faz parte do que vivo. Portanto - ou tão pouco - parte dos 'eus' e 'vocês' daqui nasceram apenas meus personagens, diálogos internos. Então, há identificações que cabem. Dessas, quem sabe, sabe. Outras, ficam por conta do freguês.
Lá do alto do telhado
pula quem quiser
Só o gato que é gaiato
cai de pé
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Assim diz a música.

E foi dela que me lembrei quando olhei pro chão e a girafa - aquela, hipocondríaca - tava em pésinha, olhar firme pra parede. Num pulou porque quis, foi o vento que derrubou. E ela caiu de pé. Depois da música, me ocorreu: ó como o inesperado acontece! Como tantas outras coisas acontecem...

O que me remete a outra música, mestre Cartola.
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Esquece o nosso amor, vê se esquece.
Porque tudo no mundo acontece
E acontece que eu já não sei mais amar.
Vai chorar, vai sofrer, e você não merece,
Mas isso acontece.
Acontece que o meu coração ficou frio
E o nosso ninho de amor está vazio.
Se eu ainda pudesse fingir que te amo,
Ah, se eu pudesse
Mas não quero, não devo fazê-lo,
Isso não acontece.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

lavar a louça do café-ler crônicas consult
ando o dicionário-guardar a louça do caf
é-desligar a geladeira-fazer o almoço-dei
xar a pia limpa-almoçar-limparageladeira.
lavaralouçadoalmoço.limparofogão.limparoc
hãodacozinha.limparasparedesdacozinha.lav
arospanosdechão-revisar o texto-sentir do
res nas costas-insistir.teimar.birrar.cansar.esgotar.

obsessiva?
não.
a muléstia!



[23fev09]

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Ainda cabem nos dedos das mãos.
Talvez seja o que me mantenha:
não cheguei a precisar dos pés.



[Menos.que.dez]
Quando haverá próxima?
Que te direis?
Que me dirás?



[antecipacionismo]
Entre aparar arestas e cortar asas,
fico com o cultivo
de possibilidades.



[Pela tangente]
Eu escreveria um conto ou um canto,
se eu soubesse como.
Eu iria a seu encontro,
se eu tivesse como.

Mas chove muito, meus escritos são deveras curtos,
meus cantos todos de outros e meu encontro aqui, comigo.
Por meio de alguns livros, poucos discos e muitas músicas,
várias letras juntas e idéias separadas,
conversas diurnas e com a madrugada.
De projetos de desenhos e de trabalhos que eu sei como.
De planos de viagem em que você talvez quisesse ir junto.

Mas chove muito, e eu poderia apenas esquecer tudo,
se eu não sentisse tanto



[Ingerência]

domingo, 22 de fevereiro de 2009

E como se eles escrevessem para mim.
Diálogos fascinantes posto que atemporais, intensos e plenos,
a despeito de materializações outras
que o encontro humano.
Isso me dá colo e aconchego,
a certeza do bem do rumo,
reforçada pelas descobertas.
Sinto paz.

A ti, escrevo eu,
por mim, pelo que alivia:
perdi-te.
Com a tristeza de qualquer perda, sem lamentos,
por diante de uma expressão do possível,
obra da transitoriedade.

Não tenho a dar porquês, quandos, ses.
Só preciso respeito
e desejo leve.



[Foi]
Que seja bobagem,
mas foi a primeira coisa que pensei:
agora posso lhe agradar, cozinhando peixe pra você.
E se outros quiserem provar,
a gente socializa.
Com quem nos interessa...



[Peixe a Lenine]
De coração puro,
na vibração da tão gostosa descoberta,
sendo parcimoniosa,
querendo fazer bem.
Pronto. Mais um passo além,
dizendo de novo que os tempos são outros,
de belas conquistas.
Conquistas do que me interessa.



Senhoras e senhores,
eu sei cozinhar peixe!



[Ao conhecer]
- Joga no chão que solta.

Não sei se foi mais de uma, mas de pelo menos uma eu lembro. A corrente era dela, eu atrás de desatar o nó e, junto com seu sorriso de quando tava ensinando algo bacana, ela me disse: joga no chão que solta.



Quantos meses? Quantos? Num faço idéia.
Uma, duas, três, zil vezes o dedinho no play.
Uma frase e outra, fragmentos.
Aspas, diferentes escritas, n tentativas.
Nada de São Google me dar cabimento.
Daí que hoje foi.
Fácil que chega me assustou, de primeira, pela frase inicial: #41, Dave Matthews Band.
Impossível não achar que é por as coisas estarem tão no chão.
Eu no chão. Pelo chão. Como a personagem.

Uma personagem.
Um encontro.
Uma música.
Um alívio.



[Descobri!]
Duas mordidas e eis que sinto no corpo que ele é meu.
Assim foi no banho, pausado, pensado, demorado.
Assim é nas fotos.
E diante de espelhos.

Apenas porque,
jogada na cama, desaguando calores e saudades,
diante de certas memórias, vem a velha dúvida:
isso foi mesmo comigo?
isso lá sou eu?

Uso muito a 3a pessoa. Falo dela.
Daí, né, como não duvidar?
Como fundir uma na outra?



[Desrealização - 22fev09]
Dividirei com você a direção do fusca.
Isso me faz lembrar que preciso tirar carteira...
E estudar espanhol, arranjar passaporte, uns cachecóis e um mochilão. Um tênis novo, uma chinela de couro e uma Melissa vermelha. Ah, e mais meias.

Preciso também de uma máquina fotográfica, um mp3 e uns fones bacanas. Tomara que por lá se ache fácil barras de cereais, tenho medo disso de comida. Será que suco é caro? Bogotá terá mesmo cheiro de goiaba?

Já terei passado por dois recitais.
E talvez você voe de novo logo depois da chegada. Talvez eu num tenha mais emprego e vá para o cerrado. Talvez nada disso dê certo.

Mas é lindo imaginar, inda mais que eu super acho digno. Inda mais indignada como tô hoje. Simplesmente porque te amo.



[com.ti.go]
Posso ouvir a música de novo.
Quem sabe agora descubro nome, letra, banda.
Tenho descoberto tantas coisas...
Até me achei!



[ao desconhecer - 21fev09]
amnésia com trocanésia.
prestou pra eu rir e pensar:
esquecer e deixar estar.
é isso.



[como deve ser - 21fev09]

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Precoce.
Tardia.

Mansa.
Conflituosa.

De doces.
De salgados.

De muitos.
De poucos.

Musical.
Musicista.

Teatral.
Dançarina.

Comediante.
Dramática.

Parcimoniosa.
Drástica.

Noturnas, noturnas...
Amantes do sol, devotas da lua, coloridas de flores, regadas pela chuva, atentas às formas, livres de fôrmas, donas das letras, voadoras borboletas.



[Más sabrosas]
Lá, naquele tempo da paciência, ela poderá publicar "O livro das epifanias de mim". Talvez numeradas de trás para frente, como ela lê as coisas, levando de volta ao quando a devastação renovadora começou.

Então, pode ser que o divino se materialize, naquele conjunto de registros do cotidiano, em que cabe uma enorme diversidade. E, pode ser que isso responda o que faz dali o tempo da paciência.
E ele assim possa ser mesmo.

Espero estar lá.



[Previsão do tempo]
Olhar nos olhos e ser simplesmente curiosa: você tá esperando qual?
Dois, três gracejos, riso à vontade com dentes pagos, mãos nos joelhos, unhas bem feitas, harmonia nos tons. Já com os pés nos degraus, pausa para um aceno e um sorriso. Foi-se e fiquei eu, marejados olhos, sentindo que é por essas que vale. É por essas que vale.



[velhasimpatia]

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Na mesma proporção:
uma chiliquenta, a outra agoniada.
O mais grave disso?
O conforto que sinto sendo o recheio desse sanduíche...


[Sabrosas]
Nós precisamos de mais vestidos.
E de caminhadas ou corridas.
E de voltas ou de idas.
E de saias coloridas.

Precisamos de mais sorvete
e da lua
e do mar.

Precisamos de mais árvores - você já viu um baobá? -, de mais flores, de novos amores, de calma pra plantar.
Precisamos de mais disciplina, de mais adrenalina, de livrar das toxinas e de um fusca amarelo-pintinho.
Precisamos de dar tempo ao tempo, de conseguir assistí-lo passar, de não deixá-lo nos assustar, nem marcar como ferro em brasa.

Precisamos buscar mais músicas, gastar as folhas dos cadernos, as pontas dos lápis de cor e o conteúdo das sombras.
Precisamos não tentar precisar o que é vago,
achar um conforto,
um jeito,
um tom.

Precisamos daquilo de bom que já temos,
regado com tudo o que de melhor podemos,
podando toda e qualquer daninha.

Precisamos do sol e da chuva, de riso de criança e de borboletas.
Precisamos acreditar no lá que quem pouco vê, já viu.
Precisamos de outras personagens, para cada dia, ao cair da tarde, aquela luz pintar o sonho que a gente inventou.



[Em par, entre ímpares]
Eu não quero menos. Não quero.
Sem saber, continuaram os mimos de infância, me deram do bom e do melhor.
Resultado: só quero se for dali pra lá.

Assim sendo, que feche.
Que finde essa história de tanto, apesar de tão pouco. Há mais à espera, bem aqui: cinema em meio de semana, passeios no rio com pôr-do-sol, conferências marcantes, lisonjeios e elogios aos dotes, instigantes projetos.

Que feche.
E o mais se abra.



[16fev09, saber acabado]
Uma girafa hipocondríaca, que se acha padecendo de platônico enamoramento por uma flor.

Essa flor, submissamente contorcionista, sempre à merce do quão torta lhe deixem, com um sorriso simpático, típica acrobata do circo Firuliche.

Um rato gordo, de pijama de listras e orelhas baixas, olhar lânguido e sorriso carente, vitimizando-se pelo que ele não soube conquistar.

Um javali epiléptico: se puxado à vida, ele se treme, treme, treme, treme...



Essas são as pelúcias de minha casa.
Normalidade?!
Pedir demais!



[16fev09, depois do furos]

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Eu tenho uma entidade. Juntas, fazemos par com outra.

A compreensão de mim está muito ao Léo, bem como minha paz se acha nos a.braços de uma rainha do a.mar. Mesmo eu sendo dama de águas doces.

Prefiro os sabores ácidos e amargos. Chocolate já nem tanto acompanha. Estudo um instrumento de cordas que me fez cortar as unhas e amar calos, achando um jeito de entre suavidade, precisão e força.

Convenci um de que sou chata, mas ele sentiria falta, só pelo feminino presente. Justo eu, que muito macho faço até cimento.
Para outra, que me soa saborosas familiaridades, sôo João e Maria.
Benção.

Me esparramei nos depoimentos de uma flor-menina, que nem o carinho-cuidado que resguardo se esparramou nos chiliques dela.

Convergindo mals gostos, saboreei nas madrugadas a conquista de um amor de porcaria, que me deu mais fôlego para acontecer do que sabe.

Tenho um filho fantástico, preciso, assertivo, minucioso, delicado, sagaz. Assim como a pequena que subiu comigo lá onde tinha jeito de infância ao descer.
E quero o conforto daquela que se recolhe e só.

Não vou embora agora.
E talvez tenha mentido pro chefe: acho que ainda quero ser gente grande.


Desde que com calma.



[Palavrórios devanêicos]

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Foi numa noite de lua cheia e socialismo, ao som do mar.

Aquela tanta empolgação,
aquela toda realização,
o encontro com as coisas como elas são,
o cotidiano visto nos olhares e palavras
trocados diretamente.
Uma entrega inusitada ainda que óbvia, a estréia tardia de algo bem conhecido, o direito à incoerência, o aliviar de um afã,
uma troca de sinceridades.

Deu-se, então, uma emergência.
Revigorada, surgiu diante de si
plácida,
disposta a armar-se para a guerra, sentindo as pequenas potências.
Reencontrou-se.
Desde então, anda a cantar e dançar bobagens, a celebrar a loucura, a elaborar miúdos planos, medidos pelos pés e passos,
mãos e sonhos
de vendaval.
Sabe que eu já tava achando bom?
Fogo de revirada.
Só que acho que assim mesmo vai ser mais divertido.
E com calma, por favor.
Pois tanta revirada desajusta e cansa.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Ligou quando quis.
Pediu o que confiava ouvir, contou o que podia falar, sabia que ali era casa.
E no desabafo fez descobrir mais presente do que jamais suporia. Mas sentia.
Daí que não me importam todas as profecias, todas as certezas pra muitos estabelecidas. Ando apegada à minha arrogância, disposta a teimosias, a boas brigas. É outra, a relação é outra.
Por isso atendi.
Por isso nos ligamos.
Por isso, amo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

À minha mãe, Guiomar.


Jamais poderei ouvir Roberto Carlos sem pensar em você. Se ele tiver cantando os caracóis tão seus, tão nossos, o choro será também inevitável. Fiquei chata, muitíssimo, amarguei cedo. Isso muitas vezes me faz agoniar com seu ritmo, seu jeito, horas tão diferentes dos meus, hora tão parecidos. Mas nada diz de aconchego como a lembrança de deitar com a cabeça nas suas costas, debaixo do cobertor Paraíba marrom. Nada diz de verdades do mundo como a lembrança do teu choro das dores tantas e do teu riso das bobagens simples.

Você teria voado além do sonho, se tivessem te dado asas formais. Você coloriu e cantou e pôs muita delicadeza em muitas vidas, em muitas gerações. Você me mostrou a coragem banal que é necessária para partir, atrás do desconhecido que atrai mais que o esperado. Você tem a força vigorosa das mulheres mitológicas do rio caudaloso, guerreiras furiosas, loucas de vida, como ouso carregar nos meus olhos e ombros.

Você me pariu com música e aí eu fiquei assim, cadenciada, sonora, expandindo-me onde houver ar. E eu jamais poderei agradecer o suficiente. Abri mão das unhas fortes que sempre foram a tua vaidade para fazer música, um muito na esperança de fazer soar beleza no mundo como você tem feito, nesses sessenta e seis anos.


Espero ser para ti apenas isso: parte bem semeada da jardinagem que compões todo dia.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

the lights go on
the lights go off
when things don't feel right
i lie down like a tired dog
licking his wounds in the shade

when i feel alive
i try to immagine a careless life
a scenic world where the sunsets are all
breathtaking

[Beirut, Scenic World]

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Quisera eu me pôr de modo a perder o fôlego e, assim, vazia de ar, esvaziar-me de mim. E descansar...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Mafalda diz:
BsB é mais perto da Venezuela. Seus irmãos são divertidos. Nossa luz está mesmo nos olhos da IsaBela. Porque não ir? Se nada der certo, a Isolda Gunther ainda está por lá, na mesma UnB que deve ter escola de música. Poderia até conviver com a loucura de uma paixão e não enlouquecer. O fundo de Seu Cardoso teria um só destino: ponte aérea BsB-Nat.
Mafalda diz:
Para vc vir ou eu ir - passo de novo pela solidão da Bahia nem a pau. Liberdade? Parcela; pode incluir na planilha. Se d. Gui não reclamar mais do que como fez com o fogão companheiro da BeBel, pode ser a tal da moto. Se ela reclamar, vira fusca. Voa. Voa.
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Juro que tento ir sem muita dor,
me agarrando à noção de que será
como tem sido com outros:
como se nada mais tivesse acontecido que anoitecer e amanhecer...

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Você e suas descobertas.
Você e seus presentes.
Você...

Nós e nossas veias abertas.
Nós e nossas quedas.
Nós e nossos ombros cansados.
Nós e nossos bordados.
Nós e nossos presentes trocados.
Nós e nossos amores truncados.
Nós...

Ainda bem que, ao menos, pode ser assim, no plural.



[para Keyla, em 31jan09. para Candida, em 01fev09]
Teria fumado, se embriagado, comido doces, faxinado, vagado na noite sozinha. Mas nada cabia, nada parecia à altura, pois acima daquela primária dor de saudade, tudo era muito diversão e beleza. Foi quando viu o plástico de bolinhas.

Calmamente, pôs os dedos em ação. Plect, plect, plect... A cada bolinha, tantos quantos pensares-dizeres-sentires:

galado.bonito.sacana.sorriso.safado.comp
romisso.descarado.assumido.escorregadio.
cativante.arredio.confiante.indecente.coe
rente.saliente.evasivo.olhar.invasivo.esc
racho.fuga.encontro.cantadas.diálogos.conf
issões.entrega.canções.noites.convites.ab
raços.cabelos.vestidos.elogios.militância.
sorvete.recomeço.rebuliço.revolução.socia
lismo.lua.rua.praia.chamego.desejo.beijo.
dedos.vapores.suores.sabores.riscos.recei
os.desenho.afagos.formas.outras.tantas.vi
ndas.ida.voltas.curvas.ancas.lágrimas.inq
uietas.pernas.lembranças.alento.fidaputa.
momentos.único.

Assim, como a mais dedicada das carolas ao rezar um terço, foi dando cabo das bolinhas, carpindo a partida do homem. Achou outros pedaços de plástico e concluiu que talvez precisasse de alguns metros. Riu sozinha, imaginado-se mergulhada num mar de plástico de bolinhas.

Riu?
Riu.

O choro não era dele, nem tinha sido com ela. Juntos, tinham sido diversão e beleza. Então, agora sim, fez jus.
Se isolando para suportar um desencontro, perdeu de encontrar outros. Quando foi lá, mal deu tempo. Agora, suporta com Baden aos ouvidos e Vinicius aos olhos:

"e as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo a saudade de seus homens"

[trecho de "Mensagem à poesia"]