terça-feira, 28 de julho de 2009

De perto,
os muitos pelos desenham em teu corpo
curvas e sombras que incitam meus dedos
a passear entre eles.
Da porta,
teu sono nu pediu
o passeio de um lápis grafite sobre papel Canson.
Incrível como teu cheiro combina
com cada uma das bolinhas azuis
do meu vestido anos 50.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

essa calma que inventei, bem sei
custou as contas que contei
eu tenho mais de vinte anos
e eu quero as cores e os colírios
meus delírios
estou ligada num futuro blue

[Vinte anos blue - Sueli Costa & Vitor Martins]
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estou ligada num presente green
minhas alucinações
e eu quero os sons e os silêncios
eu tenho quase trinta anos
dispostos a fazer acontecer
essa calma que eu quero viver.

[Trinta anos jazz - Eu]
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Nesse movimento, num cabe tolerância com certos desvarios alheios. Me recolho e cuido dos meus desvarios. E ponto.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Tive um frio de dormir de meias.
Tive um fio de medo de me perder de mim.
Tive um sonho de acordar suado,
de olhar assanhado
teu jeito de andar.

Tive dores nas costas de tanto sentado.
Tive ardores nos olhos de um consumo desvairado.
Tive vontade de dar uns bons tragos,
mas lembrei o quanto
esse aliviar é vago.

Tive um engano que seria mais fácil.
Tive sérias dúvidas se valeria um tango.
E então,
me enrolo nos panos,
alongo a coluna,
cerro os olhos
e o que vem
é aquele bailado:
eu acordeon entre seus braços...

terça-feira, 7 de julho de 2009

Eu deixei a louça do almoço
um pedaço de queijo
e um post-it por grudar.

Deixei que você me tomasse
ao sabor da chuva
a pele em braile
a alma em brasa.

Eu fervilhei boas idéias
desejos indecentes
medos insanos
planos para tocar.

Desde então,
ronca dentro um vazio das plantas que abandonei,
dos dedos entrelaçados,
das cotidianidades sobre as mesas,
dos encantos confessados,
das sutis carícias de porvir.

Deitada, no frio da madrugada,
suspiro e salivo.



[fome.em.ti]

sexta-feira, 3 de julho de 2009

É bem possível que, ainda agora,
o motorista do ônibus não saiba porque
freiou para a borboleta passar:
apenas fez.

Inusitado assim foi que aconteceu.
E encantou,
dando tons vividamente
bem-vindos.
Talvez, por isso mesmo,
sorrateiro esmaeceu,
desbotou,
tal qual por descuidado mal tingido.

Como nem sempre se pode
contar com a poética do inusitado,
muito há de admirar o pintor esmerado,
atento à técnica
que lhe traduz o afetos.

Pois aquela borboleta nem sabe
do sorriso que ela me deu...
Mas o motorista sabe.