Você merecia um canto,
mas por enquanto só poderia lhe ofertar um quase-conto.
Pelo que me soas,
saio do silêncio para ressoar os pontos,
de vista,
de encontro,
de encanto.
Pelas convergências,
fantasio loucas reviravoltas de ventos,
com seus nomes de mulher, em curvilíneos movimentos.
Porque mimar em mim é ser,
te planejo presentes,
que te cuidem hoje como futuramente,
aos moldes do que meu passado diz semente
no solo fértil de teu colo intenso.
Se eu fosse de preces,
rogaria aos anjos pinceladas de te fazer
sorrisos,
vôos,
sossegos.
Sendo de atos,
derramo em palavras o que em mim
preenche-se dos teus transbordamentos,
desejando, com afeto,
que o tempo seja afago
na compridez dos teus sonhos e cabelos.
[cá.entre.nós]
segunda-feira, 30 de março de 2009
quarta-feira, 18 de março de 2009
Não aprendemos.
Talvez porque, tão libertos, é do vôo que precisamos.
Alçamos.
Mas beija-flor também precisa de assento.
Cansamos.
Do pouso na dúvida, perguntamo-nos:
Quê queremos?
Das quedas, pegamos apreço pelo atrito que sustenta.
Cuidamo-nos.
Eis que então, despertos, encontramos que nosso aprendizado chegou.
Há tempos.
Talvez porque, tão libertos, é do vôo que precisamos.
Alçamos.
Mas beija-flor também precisa de assento.
Cansamos.
Do pouso na dúvida, perguntamo-nos:
Quê queremos?
Das quedas, pegamos apreço pelo atrito que sustenta.
Cuidamo-nos.
Eis que então, despertos, encontramos que nosso aprendizado chegou.
Há tempos.
segunda-feira, 16 de março de 2009
quinta-feira, 12 de março de 2009
domingo, 8 de março de 2009
sexta-feira, 6 de março de 2009
Cheios de urgências e de outros valores,
esvaziam-se dela.
Enquanto isso,
ela cultiva flores
e afagos,
doída de sustos,
tristezas,
aprontando-se para voar longe
quando for o tempo
de desprender-se do casulo
e olhar de longe
essa pouca beleza.
[Distâncias]
___________________________________
Porque não pode estar perto, nem junto, quem num tenha cuidado em não lhe fazer sofrer.
esvaziam-se dela.
Enquanto isso,
ela cultiva flores
e afagos,
doída de sustos,
tristezas,
aprontando-se para voar longe
quando for o tempo
de desprender-se do casulo
e olhar de longe
essa pouca beleza.
[Distâncias]
___________________________________
Porque não pode estar perto, nem junto, quem num tenha cuidado em não lhe fazer sofrer.
segunda-feira, 2 de março de 2009
Todo mundo tem o direito
De viver cantando
O meu único defeito
É viver pensando
Em que não realizei
E é difícil realizar
Se eu pudesse dar um jeito
Mudaria o meu pensar
O pensamento é uma folha desprendida
Do galho de nossas vidas
Que o vento leva e conduz
É uma luz vacilante e cega
É o silêncio do cipreste
Escoltado pela cruz
[Silêncio de um cipreste - Cartola & Carlos Cachaça]
____________________________________________________
Ah, se fosse só tu, Cartola!...
De viver cantando
O meu único defeito
É viver pensando
Em que não realizei
E é difícil realizar
Se eu pudesse dar um jeito
Mudaria o meu pensar
O pensamento é uma folha desprendida
Do galho de nossas vidas
Que o vento leva e conduz
É uma luz vacilante e cega
É o silêncio do cipreste
Escoltado pela cruz
[Silêncio de um cipreste - Cartola & Carlos Cachaça]
____________________________________________________
Ah, se fosse só tu, Cartola!...
domingo, 1 de março de 2009
Debaixo do mar viaja o canto das baleias, que cantam se chamando.
Pelos ares viaja o assovio do caminhante, que busca teto e mulher para fazer a noite.
E pelo mundo e pelos anos, viaja a avó.
A avó viaja perguntando:
- Quanto falta?
Ela se deixa levar do telhado da casa e navega sobre a Terra. Sua barca viaja para a infância e para o nascimento e para antes:
- Quanto falta para chegar?
A avó Raquel está cega, mas enquanto viaja vê os tempos idos, vê os tempos perdidos: lá onde as galinhas põem ovos de avestruz, os tomates são como abóboras e não há trevos que não tenham quatro folhas.
Cravada em sua cadeira, muito penteada e muito limpinha e engomadinha, a avó viaja sua viagem pelo avesso e convida a todos nós:
- Não tenham medo - diz. - Eu não tenho medo.
E a leve barca desliza pela Terra e pelo tempo.
- Falta muito? - pergunta a avó, enquanto vai.
[Janela sobre a memória; Eduardo Galeano, Mujeres]
__________________________________________________
Para mim mesma,
já tia-avó,
já viajando pela infância e pelo o avesso,
mas ainda com medo.
Pelos ares viaja o assovio do caminhante, que busca teto e mulher para fazer a noite.
E pelo mundo e pelos anos, viaja a avó.
A avó viaja perguntando:
- Quanto falta?
Ela se deixa levar do telhado da casa e navega sobre a Terra. Sua barca viaja para a infância e para o nascimento e para antes:
- Quanto falta para chegar?
A avó Raquel está cega, mas enquanto viaja vê os tempos idos, vê os tempos perdidos: lá onde as galinhas põem ovos de avestruz, os tomates são como abóboras e não há trevos que não tenham quatro folhas.
Cravada em sua cadeira, muito penteada e muito limpinha e engomadinha, a avó viaja sua viagem pelo avesso e convida a todos nós:
- Não tenham medo - diz. - Eu não tenho medo.
E a leve barca desliza pela Terra e pelo tempo.
- Falta muito? - pergunta a avó, enquanto vai.
[Janela sobre a memória; Eduardo Galeano, Mujeres]
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Para mim mesma,
já tia-avó,
já viajando pela infância e pelo o avesso,
mas ainda com medo.
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