quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Percussão de paz:
teus cabelos batucando barulho de chuva no meu capacete,
sob a noite morna.



[29dez09]

domingo, 20 de dezembro de 2009

Shopping, mês natalino, fim de expediente, dia da promoção do cinema, praça de alimentação.

Como abençoado é o inusitado, neste contexto dos mais desfavoráveis, a poética do cotidiano se encenou: um casal de jovens senhores - casa dos "enta", cabelos grisalhos, rugas respeitadas, tons sóbrios - namorava. E corou e riu muito diante da pergunta: os pais de vocês sabem que vocês estão namorando no shopping em plena quarta-feira?

Diante da brincadeira que se encerrou em elogio, me pergunto quem terá vivido o momento mais epifânico. Nós ou eles?

sábado, 19 de dezembro de 2009

Começou a juntar as peças de roupa como num resgate das tripas para o devido lugar.

Caso só estivesse, teria fumado, para ter uma companhia meramente calorosa. Em respeito aos que estavam do outro lado da porta, alheados da imensidão de dor sentida do lado de dentro, apenas cuidava para não escorregar no que das lágrimas chegava ao chão. E aquilo se lhe mostrou como o fundo do poço.

Pensou que, para sempre, a imagem do inferno lhe seria aquela:
seu niño
de branco
descalço
sentado entre hostis estranhos.

Jamais pensara que cores lhe agrediriam. Dissera que por ninguém se sujeitaria. E eis que, naquele momento, enquanto juntava as roupas se esforçando por admirar-lhes as cores, soube que iria. Dobrada a última peça, respirou fundo e olhou para a porta.

Em seguida,
girou a maçaneta e saiu,
em busca do vento.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Pretendo encher minhas paredes
de muitas cores e formas.
Desenhos, quadros,
bonecas, escritos,
flores, listras,
fitas.

Entre tudo,
um espaço reservado
pra você me emprensar.



[moldura]

sábado, 21 de novembro de 2009

Entre estantes de livros e discos,
suor num tapete de tear e uma breja gelada
afogarão as saudades
desse estar aconchegado,
que achamos nos nossos desejos de estar só
ou somente um tanto mui bem acompanhados.



[esperanza]
A minha transparência é colorida. E tão vívida que ele fácil viu...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

guió é amiga da santa irmã de nêgo (tio); nêgo namora guió que casa com carduzinho (ele... o boto); santa, casada, namora raizão, marido de maria; santa, sem nada de santa, teve com o marido, ray - e não com raizão - claudio; claudio que desde infante ama aline (que também é sua amante) filha de guió com o carduzinho (o boto), que hoje está se sentindo outro animal, zodiacal (ele... o touro); guió, hoje ainda com ele (o boto) é viúva de nêgo, amigo de raizão (que deixou santa também viuva, mesmo com ela não tendo contraído - como se doença fosse - o matrimônio). a materialização desse amor trouxe para carduzinho (o agora zodiacal) a lembrança de um adereço do qual na realidade não foi possuidor, mesmo que merecedor - posto que era ele o boto. diante de tal, ele (o agora zodiacal), não deseja que fruto seu contraia matrimônio com o fruto dos seus áis; enquanto isso, claudio e aline vagam na noite úmida, frutos libertos, sorrisos abertos, exalando bem-querer...



[crônica.de.uma.loucura.(des)velada]

domingo, 1 de novembro de 2009

Tá no vento.
Vento eu, vento eles.
Movimentos diversos - das fitas, folhas, cabelos -
e essa falta de palavras, deixam algo
em suspenso.

E eu que espere, dedilhando as notas do baixo na coxa com a mão direita...



[ansiedade]
Penso em arriscar um convite para o cotidiano.

Como itens do pacote, te servir pratos coloridos em pratos coloridos, desejando acima de tudo saborear o seu sorriso.
Falar das imagens que me encantam, das letras que te componho em mim.
Perguntar das tuas saudades, dos teus medos, dos desejos.
Sentir sua fortaleza e o conforto das tuas mãos nas minhas.
Me desmanchar sentindo no meu peito o pulsar do teu, diante da volta.


Te plantar no meu jardim, regando a minha felicidade com o seu olhar.



[SemeaduraDoAmordeNós]
É um muito assim que quero a morada nova com que sonho todos os dias. Todos os dias. Aquela em que estamparei paredes com estênceis e etc, onde usarei os talheres amarelos numa mesa redonda e espanarei os livros em estantes nada banais.

domingo, 25 de outubro de 2009

Peixe cozido no almoço
samba pra lavanderia
bromélias silvestres no quintal
furadeira em punho
cortinas entremeadas
tangerinas na madrugada
e as mesmas fitas de cetim



E assim se acha aconchego numa casa cheia de tortas linhas retas.



[pédomorroàesquerda]
10 a 15 caixas de biscoito cream cracker. No máximo.
Dobrando direitinho, empilhando da melhor forma,
é disso que eu preciso para guardar tudo o que é de meu uso direto e exclusivo.

Conclusão: meu essencial cotidiano ocupa pouco espaço.
Inversamente proporcional aos meus anseios, que se espalham por onde houver ar...
Vezenquando clichês são bem-vindos, não somente pelo momento, mas pela fonte. Graças à senhorita, volto sorrindo ao clichê de que 'nada é por acaso'. Afinal, não creio que haja acaso em sua revisão parar nas minhas mãos, e eu fazê-la junto com você, nessa sua gana inimáginável a quem se atenha à sua fala de gata mansa.

Convergimos porque assim quis o cosmos, fazendo os meus tomarem os picolés feitos pelos seus, fazendo nossos ouvidos afeitos aos graves, fazendo do ensino nossa meta, fazendo da seriedade nosso estilo, fazendo do mundo nosso lugar.

Ou seja, agrego-te como mais um entre os meus presentes de Natal - a cidade, essa cidade, que tanto me deu e que feliz deixo pela sua, tão nossa. E é por isso que lhe agradeço. Não simplesmente pela cordial disponibilidade e boa vontade. Mas por conhecê-las em ti, com muito mais, e me sentir privilegiada na vida.

Muchas gracias, niña!




[Laçodefitacorderosaclaro]

sábado, 17 de outubro de 2009

Léo disse (14/10/2009 às 11:19):
mas, existem mulheres que se destacam, que valem cada lagrima e noites de não sono, que valem livros de poesia e cheiros de rosa pela manhã
vc é uma delas




Enquanto outros não descobrem, é a poética dele que me faz companhia.



[Sempremuitobemacompanhada]

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A minha curiosidade me põe em situações delicadas
a minha flexibilidade me põe as pernas sobre o assento
o meu calor me põe os cabelos em coques
o meu medo me põe o olhar vão.

Enquanto isso,
deslavada,
a memória do teu abraço me põe em desordem os desejos...



[lógica de inconveniência]

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Te invento atraente porque assim convém
à minha necessidade de te achar um possível sossego.
Espontâneo, desfazes fácil meu brinquedo,
entregando toda tua broxante banalidade
dos que querem pouco...



[sonho raso]

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ainda te ouço contar,
cabreiro,
que pego fostes,
por um gostar de soslaio chegado,
súbito susto a te jogar
bem em cheio
nesse balaio-de-gato
que é se ver de amores revirado.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Com cuscuz, queijo de coalho, carne de sol
e suavidade,
quebrei o amargo contemplando felicidade.

Com afeto,
sinceridade e um tantinho de chocolate,
saboreei sorriso de liberdade.

No calor,
com pupunha, Cartola,
Billie Holiday ou Piaf,
vou degustar lancinantes saudades.



[Café.com.Léo]
Nunca tive problemas com rosas.

Fascinada pelas texturas e aromas e, principalmente, tons, nunca fui de me incomodar com os espinhos e estereótipos. Isso era muito de menos diante das tantas possibilidades...
Reduzindo o cansaço da vista mudando configurações do computador. Ou como fugir do anteprojeto de doutorado entre cores e nomes.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Colheu disposição, diálogo, implicância, intimidades e doces verdades.
Plantou no meu jardim interesse, novidade, cachos de autenticidade e um plus de conforto ao abraçar.
Eu poderia apenas fazer de conta.
Mas o colar que mais me encantou também tem cetim
e eu curto mesmo são dados de realidade,
viciados para caírem
com o lado doce para cima.

Teimosamente,
com seus olhos que a moça adjetivou montanhosos,
se apossou do que eu precisava dispor:
afeto.

Assim,
a cada dose de saudade de porvires,
te consolido em mim.

Concreto,
suave
e bem quisto.
Como um arranjo de graves ou flores...

sábado, 12 de setembro de 2009

Palavras bem amarradas,
contando como as possibilidades são que nem pipas leves e coloridas:
voadeiras.

Sobre a mesa,
impressões e constatações subversivas,
posto que é mesmo sob os versos cotidianos
que se esconde a perigosa chance de mais.

Jorra, então,
o conforto em estar,
assim
tão diversamente em par
saboreando cor de flor,
luz de brisa noturna,
perfume de livre caminhar...



[TriânguloAmoroso]

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Em meio ao forte cheiro de esgoto curtido, o que brilha são os olhos do menino diante da novidade e uma bolsa velha. O homem velho e sujo levanta do chão, próximo à fossa, e entra na casa, levando consigo mais uma das fortes impressões de que, nesse universo, não houve registro do que significa dignidade. Enfim, acharam-se os documentos, a mulher vem pra fora, o velho volta, se agacha com a naturalidade das crianças, manipula pedras, pedaços de si, vestígios de loucura. O som alto invoca uma aura de encanto, o homem bêbado pede permissão pra sonhar; na frente, sobressaem as caixas de som e a menor criança sobe num tijolo em meio à lama. Outros papeis surgem muito bem guardados em sacos plásticos, a criança maior volta, olha o velho sem afetos, toca a mãe com descaso. Vejo na jovem as curvas de que falou o arquiteto, busco um mínimo desse enlevo e encontro as costelas finas da criança, penso nas distâncias, na diferença, nas ausências...



[Alto do Céu, João Pessoa, Abril de 2006]

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Nessa fartura de cheiros, gostos, sorrisos, toques,
se espalhou por tudo em mim,
numa diretividade infantil que inviabiliza a negação.

Logo, aceito.



[Muy bien. Gracias]
Eu bem queria me importar mais.
E racionalizar,
usar do ponto final.
Mas num cabe:
estou plena.
De ti
em mim.
Queria ser uma sereia.
Só que de rio.


______

Eu sou a sereia do mar
Eu tô deitada na areia
Tô ouvindo teu cantar

O carimbó é muito quente
Da cintura prá baixo eu sou peixe
Da cintura pra cima eu sou gente

No meu barco à vela
Viajo a noite inteira
Com o poderio da sereia
Enfrento a cachoeira.

|Sereia do mar - Verequete|
Molho de pimenta,
salada com azeitona,
suco de fruta sem açúcar,
água de côco gelada,
sorvete de bacuri.


Vento na beira do rio e risadas de criança.
E o teu cheiro.


Luzes noturnas, muitas curvas, unhas roídas,
mãos espalmadas, pernas entrelaçadas,
coque desfeito, o cordão enroscado no anel,
água fria, corpos quentes.

Tudo isso por causa de um sim. Porque sim.
Por você e por mim...
Da primeira vez, foi parte do começo das muitas cinzas daquela quarta-feira. Agora vem de novo, amansando com essa musicalidade confortável que só Cartola tem, dando todo o sentido que colorida e suavemente me liberta.

Com três diferençazinhas -
ainda sei amar,
merece
e meu coração está quentinho, quentinho.

Ei-la:



Esquece o nosso amor, vê se esquece.
Porque tudo no mundo acontece
E acontece que eu já não sei mais amar.
Vai chorar, vai sofrer, e você não merece,
Mas isso acontece.
Acontece que o meu coração ficou frio
E o nosso ninho de amor está vazio.
Se eu ainda pudesse fingir que te amo,
Ah, se eu pudesse
Mas não quero, não devo fazê-lo,
Isso não acontece.

|Acontece - Cartola|

terça-feira, 11 de agosto de 2009

15 de dezembro de 2008.
Estava no aguardo, profetizando: vai passar.

E num é que passou?
Uau!



[libertad]

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Doce de leite em barra.
Água com limão.
Graves femininos.
Violão folk.
Céu nublado e uma expectativa de arco-íris, só pra arrematar.



[Working.in.home]
Uma aparição:
soltos os cabelos
e
pronto,
exalada a leveza no contorno dos fios.

Por isso é fácil o feito elaborado
de pousar
subversiva elegância
no que poderia ser
frio ou denso.

Num abraço morno,
queria caber-te
sem dor ou cansaço.

Apenas brisa, silvo de pássaro, sorriso de criança.
Como vestir roupas velhas.
Ou dormir com o travesseiro deixado na casa da mãe.
Como andar descalço em grama japonesa e apertar purê de batata com o garfo.
Como se enrolar em edredon em madrugada de frio e passar água doce no rosto ao sair do mar.

Confortável.
Nesses modos.

Assim me re.soas

terça-feira, 28 de julho de 2009

De perto,
os muitos pelos desenham em teu corpo
curvas e sombras que incitam meus dedos
a passear entre eles.
Da porta,
teu sono nu pediu
o passeio de um lápis grafite sobre papel Canson.
Incrível como teu cheiro combina
com cada uma das bolinhas azuis
do meu vestido anos 50.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

essa calma que inventei, bem sei
custou as contas que contei
eu tenho mais de vinte anos
e eu quero as cores e os colírios
meus delírios
estou ligada num futuro blue

[Vinte anos blue - Sueli Costa & Vitor Martins]
_________________________________________

estou ligada num presente green
minhas alucinações
e eu quero os sons e os silêncios
eu tenho quase trinta anos
dispostos a fazer acontecer
essa calma que eu quero viver.

[Trinta anos jazz - Eu]
_________________________________________



Nesse movimento, num cabe tolerância com certos desvarios alheios. Me recolho e cuido dos meus desvarios. E ponto.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Tive um frio de dormir de meias.
Tive um fio de medo de me perder de mim.
Tive um sonho de acordar suado,
de olhar assanhado
teu jeito de andar.

Tive dores nas costas de tanto sentado.
Tive ardores nos olhos de um consumo desvairado.
Tive vontade de dar uns bons tragos,
mas lembrei o quanto
esse aliviar é vago.

Tive um engano que seria mais fácil.
Tive sérias dúvidas se valeria um tango.
E então,
me enrolo nos panos,
alongo a coluna,
cerro os olhos
e o que vem
é aquele bailado:
eu acordeon entre seus braços...

terça-feira, 7 de julho de 2009

Eu deixei a louça do almoço
um pedaço de queijo
e um post-it por grudar.

Deixei que você me tomasse
ao sabor da chuva
a pele em braile
a alma em brasa.

Eu fervilhei boas idéias
desejos indecentes
medos insanos
planos para tocar.

Desde então,
ronca dentro um vazio das plantas que abandonei,
dos dedos entrelaçados,
das cotidianidades sobre as mesas,
dos encantos confessados,
das sutis carícias de porvir.

Deitada, no frio da madrugada,
suspiro e salivo.



[fome.em.ti]

sexta-feira, 3 de julho de 2009

É bem possível que, ainda agora,
o motorista do ônibus não saiba porque
freiou para a borboleta passar:
apenas fez.

Inusitado assim foi que aconteceu.
E encantou,
dando tons vividamente
bem-vindos.
Talvez, por isso mesmo,
sorrateiro esmaeceu,
desbotou,
tal qual por descuidado mal tingido.

Como nem sempre se pode
contar com a poética do inusitado,
muito há de admirar o pintor esmerado,
atento à técnica
que lhe traduz o afetos.

Pois aquela borboleta nem sabe
do sorriso que ela me deu...
Mas o motorista sabe.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Não estava ao pé do palco,
mas eu pensei quando lá subi.

Não estava para dispensar o queijo,
mas eu pensei ao ardor suave de cada pimenta.

Não estava para o forró,
mas eu pensei que saberia da sanfona.

Não estava para cantar no carro,
mas eu pensei nas não-canções que lembraria.

Não estava para o baião-de-dois,
mas eu pensei no outro bolo que faria, por mimo.

Não estava para o rio, o remo, a canoa,
mas eu pensei enquanto dançava, liquefeita.

Pensei: estará sempre,
... nem que seja nas muitas doses
..... de saudades desprendidas
... ao Léo ...

domingo, 21 de junho de 2009

Eu perguntei.
E sua resposta me soou evasiva.
Clássico...
Pior, só o romantismo.

Quadradinho de All Star,
não sabe da visão política,
acha que discutir seria divertido,
gosta de cachos,
encabulou-me pelas pernas,
invejou a barba do meu filho,
curtiu o duelo embaçado e casual,
entre as quase concessões
que não fazemos por fetiche
no negociar.

E fica.
Com tudo, com tudo,
fica.

Como eu fico.
Posto que me divirto.
Ensaio, provoco, instigo.
Aprendo, brinco.
E sou feliz.



[IC.voluntário]

sábado, 20 de junho de 2009

Acho que te levo na bagagem
resumido num cd barato,
gravado com a trilha sonora do meu sentir-te.

Três idiomas,
vários ritmos e estilos,
múltiplas predominâncias instrumentais.

Em meio a tanta diversidade,
apenas uma mensagem:
levo-te comigo.
________________________________________________

Jorge Drexler - Deseo
Roberta Sá - Casa pré-fabricada
Julieta Venegas - Andar Conmigo
Kiko Zambiachi - Rolam as pedras
Céu - Mais um lamento
Zeca Baleiro - Telegrama
Talma de Freitas - O seu lugar
Caetano Veloso - You don't know me
Pink Floyd - Wish you're here
João Gilberto - Chega de saudade
Adriana Calcanhoto - Seu pensamento
Lenine - Tudo por acaso
Roberta Sá - Mais alguém
Novos Baianos - Acabou chorare
Chávela Vargas - La llorona
Vanessa da Mata - Desejo
Secos&Molhados - Amor
Beatles - I wanna hold your hand
Céu - 10 contados
Lenine - É o que me interessa
Roberta Sá - Que belo estranho dia para se ter alegria
Zeca Baleiro - Quase nada
Adriana Calcanhoto - Vambora
Tim Maia - Você



[nossalista.emaberto]

sábado, 13 de junho de 2009

O nome daquela minha cidade tem acento,
e eis que meus voos não terão mais circunflexos.
Justo eles, que em sua grafia singela
me remetiam ao recostar-se solidário
que manteve vivas a mim e a ela.

O nome dessa minha cidade não tem acento,
e eis que foram-se os agudos de minhas ideias.
Ficam os dos sons, ainda que eu prefira mesmo
os graves, que me deformam os dedos
e redesenham a alma.

O nome daquela minha cidade tem acento,
e eis que para lá vou tranquila, sem trema.
Sem que aquilo que eu tema
paralise o que eu pretenda
para o muito de desejo que em mim tem assento.



[RegrasNovas]
Tive cozinhando galos, numa pausa de muitos compassos,
sentindo se me deixava tontear até parar, lá no fundo,
ou se me esforçava para tirar a cabeça do buraco,
e seguir.

Em meio a furacões, pandemônios e pororocas auto-inflingidas,
corrimões de cuidado e safanões de afeto me empurraram para cima,
dizendo o que preciso para que os fatos possíveis se mostrem
prospecções concretizáveis.

Agora, adonada dos ingredientes de mim, pude responder à sabatina,
assumindo minha causa plenamente ciente dos riscos de vanguarda.
Na ante-sala de ser gente grande, vou alinhavando o que disponho
para a composição da história que haverá do lado de lá,
enquanto giro a maçaneta, no meu ritmo sincopado.



[10jun09.deBandeja]

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Feijão com abóbora no almoço,
ainda saboreando o cheiro do teu pescoço
logo pela manhã
(lembro).

O ouvido encantado
com um solo de baixo numa música mexicana
e a cabeça quebrada
com a frase sincopada de uma música brasileira.

O consciente alvoroçado
com os borbotões de desejos e o que penso
a meu respeito.
O lugar dela deslocado,
a afinidade no meio e a loucura
no que vejo e inexiste:
esquento.

A curiosidade que insiste
e as notas de frente e verso,
caso não, esqueço.

Chuva forte e vento que me esfriam os dedos,
penso na quentura dos teus
sobre a saudade nos poros meus.

Dúvidas que invadem
esse respirar de vontades
que me pesa sobre os joelhos.
Sento.



[sobre ti: afloramentos]

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Pronto, era isso.
Acabou.
Fim.



Divertido, esse cuidado de colocar o ponto final para a audiência. Inda mais que tá só no começo.



[mujer.niña]
Arredio, mais que eu,
semeia em mim uma leve agonia:
me intriga, intriga.

Tomara que eu possa chegar mais.
Farejo um bem.



[Crato Paz]
Bateu na minha porta,
e hoje entendo que abri nossa salvação.
Homeopatia e overdose,
supra-vivendo pela paridade,
tão por dentro, tão acima, que além
de espaço e tempo.

Na velhice,
diremos do que foi tornarmo-nos crianças
no auge da adultez
(ciranda de carinho).

Teu brilho e beleza,
bolinha de sabão
na praça da minha alegria.

Meu ânimo e firmeza,
galho de gérbera flor
no jardim da tua fortaleza.



[para a Moura]
Como se me dissesse:
vê, que injustiça? Mas oras! Se cale!
E eu continuo falando:
privilégio.



[evidências]
E se eu ousar chilicar,
ela descola um tamanco holândes simbólico,
eu entro na dela dos caracteres calados,
mudo de assunto,
e retorno ao privilégio.



[bem crescida]
Por onde elas andavam?
Eu é que andava, sem dar tempo pra elas
por bairros, chãos, praias, falésias,
falácias, paródias, chiados, boatos.

Mas elas acompanhavam
como aqueles cabelos novos na têmpora,
aquela preguiça de acordando,
aquele suspiro de frustração antecipada.

Sempre comigo.
Ressoando, como o mi do gigante alemão na sala,
como a unha roída na noite.

Daí que bastou desaguar questões,
elas vêm,
solidárias,
parceiras,
indóceis,
aliviantes.

Benditas sejam as palavras escritas.
Eu não lembro de música.
____ Só antes e depois.
O cheiro não me deixa.
____ Como o cuidado nunca te deixou.
Eu pensei no abraço.
____ Mas foi ao seu toque que ele desabrochou.
Fantasias passearam meus desejos.
____ E a cada segundo se fazia um carnaval.

Agora deságuam questões – será que você gosta de música latina? E cinema europeu? O que você leu? Que impressão de mim te deixei? Foi impressão minha ou você se emocionou? Temerás se eu falar em ir? Aceitará se eu chamar para cá? O que o cotidiano faria de nós?
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Tudo em aberto.
Correrão os dias. Fará as suas, o tempo.
Em mim, o reencontro: profundo alento.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Chamada publicitária decente e só para os íntimos:




*.*IsaQuel*.*

Restaurante universitário de delícias caseiras
ou
Restaurante caseiro de delícias universitárias
Fantasiam com que moradia eu combino.
Arranjam admiradores do que em mim é muito somente parte.
Esperam apoios dos quais não disponho mais.

Querem que eu lembre o que sequer cheguei a saber.
Têm pressa do que me dá preguiça.
Não se movem pelo que para mim é existência.

Como podemos ser pares?



[díspares plurais]

segunda-feira, 30 de março de 2009

Você merecia um canto,
mas por enquanto só poderia lhe ofertar um quase-conto.
Pelo que me soas,
saio do silêncio para ressoar os pontos,
de vista,
de encontro,
de encanto.

Pelas convergências,
fantasio loucas reviravoltas de ventos,
com seus nomes de mulher, em curvilíneos movimentos.

Porque mimar em mim é ser,
te planejo presentes,
que te cuidem hoje como futuramente,
aos moldes do que meu passado diz semente
no solo fértil de teu colo intenso.

Se eu fosse de preces,
rogaria aos anjos pinceladas de te fazer
sorrisos,
vôos,
sossegos.

Sendo de atos,
derramo em palavras o que em mim
preenche-se dos teus transbordamentos,
desejando, com afeto,
que o tempo seja afago
na compridez dos teus sonhos e cabelos.



[cá.entre.nós]

quarta-feira, 18 de março de 2009

Eu bem quis, muito mesmo.
Daí me remeteste a Djavan: mas não deu, que mal...
Não aprendemos.
Talvez porque, tão libertos, é do vôo que precisamos.
Alçamos.

Mas beija-flor também precisa de assento.
Cansamos.
Do pouso na dúvida, perguntamo-nos:
Quê queremos?

Das quedas, pegamos apreço pelo atrito que sustenta.
Cuidamo-nos.
Eis que então, despertos, encontramos que nosso aprendizado chegou.

Há tempos.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Como, niño, chegastes até aqui assim,
tão sem carinho,
que guardas silencioso
até nossos mais tolos escritos?



[Regalo]

quinta-feira, 12 de março de 2009

As contas se aprumando,
os contos esperando,
os cantos carcomidos.

Baixo, canto.
E o encanto?
Sorrisos.
Afirmem.
Perguntem.
Neguem.
O mais básico, simples e banal do cotidiano.



[to.learn.english]

domingo, 8 de março de 2009

Aqui, a perturbação é a cafetina que agencia a racionalidade em favor do desejo.



[¿Madurez?]

sexta-feira, 6 de março de 2009

Cheios de urgências e de outros valores,
esvaziam-se dela.
Enquanto isso,
ela cultiva flores
e afagos,
doída de sustos,
tristezas,
aprontando-se para voar longe
quando for o tempo
de desprender-se do casulo
e olhar de longe
essa pouca beleza.



[Distâncias]
___________________________________

Porque não pode estar perto, nem junto, quem num tenha cuidado em não lhe fazer sofrer.
Ela dançou. E foi ela.
Ela.
Ela.
Mais que imaginar, eu pude sentir,
tive sentindo,
a cada nota do acordeon degustado
junto à distância.



[Tango]

segunda-feira, 2 de março de 2009

Todo mundo tem o direito
De viver cantando
O meu único defeito
É viver pensando
Em que não realizei
E é difícil realizar
Se eu pudesse dar um jeito
Mudaria o meu pensar

O pensamento é uma folha desprendida
Do galho de nossas vidas
Que o vento leva e conduz
É uma luz vacilante e cega
É o silêncio do cipreste
Escoltado pela cruz

[Silêncio de um cipreste - Cartola & Carlos Cachaça]

____________________________________________________

Ah, se fosse só tu, Cartola!...

domingo, 1 de março de 2009

Botei os discos para fora. Aos poucos, via pele e ouvidos, voltarei a botá-los para dentro.



[Resgate/2]
Meio ano. Aliás, mais de meio ano. Guardado. Aí, contei a ela o que ele falou sobre infância e pulgas, e ela achou tão meu. Achei então porque havia guardado: lá não era tempo de tão eu.



[Resgate/1]
A palavra é meu jeito hoje de ter infância.
Vivo descobrindo-a,
destrinchando-a,
bolando com ela entre os dedos e língua.



[Lego]
Qual a minha forma de indiscrição?
Tive vontade.
Acho que consigo.
E tu?
Me darás a honra?



[antecipacionismo/2]
Minha miopia torna as coisas muito mais diversas: as formas se multiplicam, conforme a proximidade.
Terei eu aprendido a fazer com a vida o que me faz a vista?
Será disso meu trânsito com a diversidade?



[Receita/1]
Debaixo do mar viaja o canto das baleias, que cantam se chamando.
Pelos ares viaja o assovio do caminhante, que busca teto e mulher para fazer a noite.
E pelo mundo e pelos anos, viaja a avó.
A avó viaja perguntando:
- Quanto falta?
Ela se deixa levar do telhado da casa e navega sobre a Terra. Sua barca viaja para a infância e para o nascimento e para antes:
- Quanto falta para chegar?
A avó Raquel está cega, mas enquanto viaja vê os tempos idos, vê os tempos perdidos: lá onde as galinhas põem ovos de avestruz, os tomates são como abóboras e não há trevos que não tenham quatro folhas.
Cravada em sua cadeira, muito penteada e muito limpinha e engomadinha, a avó viaja sua viagem pelo avesso e convida a todos nós:
- Não tenham medo - diz. - Eu não tenho medo.
E a leve barca desliza pela Terra e pelo tempo.
- Falta muito? - pergunta a avó, enquanto vai.



[Janela sobre a memória; Eduardo Galeano, Mujeres]
__________________________________________________

Para mim mesma,
já tia-avó,
já viajando pela infância e pelo o avesso,
mas ainda com medo.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

te esparramastes em mim
na forma de ausência



[Sem]

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

10dez08
Minha criança querida, retratos de infância para quem, depois de muito, vaga em busca da sua.

Quisera eu ter encontrado, como Amélie, uma caixinha com objetos que te fizessem recordar! Que as palavras de Manoel te tragam gosto de detergente, desenho de escola, colo de mãe.

Amo.
Mafalda

_______________________________________

A melhor caixa é você.
Ao mesmo tempo, como a achada pela Amélie e como a de Pandora, como a bolsa da Mary Poppins e a bolsinha com pó de pirlimpimpim da Sininho, como o pote ao final do arco-íris e o pote de doces da brincadeira junina.



[Criancices]

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Sono? Nenhum.
Talvez num tivesse notado, num fossem os pássaros.
Oito meses passados em revisão.
Tons de rosa e laranja no céu compõem
com o kirigami no vidro da janela
e o lençol na cama.

'Amanheceu é hora de dormir'

A trilha?
Um preto com um amarelo,
fazendo algo pelo que valeu a pena estar vivo pra ver,
como disse o chefe.
Revi a menina dançando,
enquanto postes se apagavam
e você repetia o gesto do desenho.

Assumo mundanidades
e o desejo pelo mais popular.
Ainda pensando nos outros -
quantos! quantos mais? -
deságuo um tanto.

Então,
o céu já vai azul e branco.



[Cedo]
'É tudo seu?'

Quase tudo.
O que não quer dizer que o 'meu tudo' sejam fatos.
Há o que eu crio.
Crio?
Crio, sim, ué.
Crio.

Porque o que tenho a botar pra fora é o que vivo. E o que crio faz parte do que vivo. Portanto - ou tão pouco - parte dos 'eus' e 'vocês' daqui nasceram apenas meus personagens, diálogos internos. Então, há identificações que cabem. Dessas, quem sabe, sabe. Outras, ficam por conta do freguês.
Lá do alto do telhado
pula quem quiser
Só o gato que é gaiato
cai de pé
_________________________________________

Assim diz a música.

E foi dela que me lembrei quando olhei pro chão e a girafa - aquela, hipocondríaca - tava em pésinha, olhar firme pra parede. Num pulou porque quis, foi o vento que derrubou. E ela caiu de pé. Depois da música, me ocorreu: ó como o inesperado acontece! Como tantas outras coisas acontecem...

O que me remete a outra música, mestre Cartola.
_________________________________________

Esquece o nosso amor, vê se esquece.
Porque tudo no mundo acontece
E acontece que eu já não sei mais amar.
Vai chorar, vai sofrer, e você não merece,
Mas isso acontece.
Acontece que o meu coração ficou frio
E o nosso ninho de amor está vazio.
Se eu ainda pudesse fingir que te amo,
Ah, se eu pudesse
Mas não quero, não devo fazê-lo,
Isso não acontece.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

lavar a louça do café-ler crônicas consult
ando o dicionário-guardar a louça do caf
é-desligar a geladeira-fazer o almoço-dei
xar a pia limpa-almoçar-limparageladeira.
lavaralouçadoalmoço.limparofogão.limparoc
hãodacozinha.limparasparedesdacozinha.lav
arospanosdechão-revisar o texto-sentir do
res nas costas-insistir.teimar.birrar.cansar.esgotar.

obsessiva?
não.
a muléstia!



[23fev09]

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Ainda cabem nos dedos das mãos.
Talvez seja o que me mantenha:
não cheguei a precisar dos pés.



[Menos.que.dez]
Quando haverá próxima?
Que te direis?
Que me dirás?



[antecipacionismo]
Entre aparar arestas e cortar asas,
fico com o cultivo
de possibilidades.



[Pela tangente]
Eu escreveria um conto ou um canto,
se eu soubesse como.
Eu iria a seu encontro,
se eu tivesse como.

Mas chove muito, meus escritos são deveras curtos,
meus cantos todos de outros e meu encontro aqui, comigo.
Por meio de alguns livros, poucos discos e muitas músicas,
várias letras juntas e idéias separadas,
conversas diurnas e com a madrugada.
De projetos de desenhos e de trabalhos que eu sei como.
De planos de viagem em que você talvez quisesse ir junto.

Mas chove muito, e eu poderia apenas esquecer tudo,
se eu não sentisse tanto



[Ingerência]

domingo, 22 de fevereiro de 2009

E como se eles escrevessem para mim.
Diálogos fascinantes posto que atemporais, intensos e plenos,
a despeito de materializações outras
que o encontro humano.
Isso me dá colo e aconchego,
a certeza do bem do rumo,
reforçada pelas descobertas.
Sinto paz.

A ti, escrevo eu,
por mim, pelo que alivia:
perdi-te.
Com a tristeza de qualquer perda, sem lamentos,
por diante de uma expressão do possível,
obra da transitoriedade.

Não tenho a dar porquês, quandos, ses.
Só preciso respeito
e desejo leve.



[Foi]
Que seja bobagem,
mas foi a primeira coisa que pensei:
agora posso lhe agradar, cozinhando peixe pra você.
E se outros quiserem provar,
a gente socializa.
Com quem nos interessa...



[Peixe a Lenine]
De coração puro,
na vibração da tão gostosa descoberta,
sendo parcimoniosa,
querendo fazer bem.
Pronto. Mais um passo além,
dizendo de novo que os tempos são outros,
de belas conquistas.
Conquistas do que me interessa.



Senhoras e senhores,
eu sei cozinhar peixe!



[Ao conhecer]
- Joga no chão que solta.

Não sei se foi mais de uma, mas de pelo menos uma eu lembro. A corrente era dela, eu atrás de desatar o nó e, junto com seu sorriso de quando tava ensinando algo bacana, ela me disse: joga no chão que solta.



Quantos meses? Quantos? Num faço idéia.
Uma, duas, três, zil vezes o dedinho no play.
Uma frase e outra, fragmentos.
Aspas, diferentes escritas, n tentativas.
Nada de São Google me dar cabimento.
Daí que hoje foi.
Fácil que chega me assustou, de primeira, pela frase inicial: #41, Dave Matthews Band.
Impossível não achar que é por as coisas estarem tão no chão.
Eu no chão. Pelo chão. Como a personagem.

Uma personagem.
Um encontro.
Uma música.
Um alívio.



[Descobri!]
Duas mordidas e eis que sinto no corpo que ele é meu.
Assim foi no banho, pausado, pensado, demorado.
Assim é nas fotos.
E diante de espelhos.

Apenas porque,
jogada na cama, desaguando calores e saudades,
diante de certas memórias, vem a velha dúvida:
isso foi mesmo comigo?
isso lá sou eu?

Uso muito a 3a pessoa. Falo dela.
Daí, né, como não duvidar?
Como fundir uma na outra?



[Desrealização - 22fev09]
Dividirei com você a direção do fusca.
Isso me faz lembrar que preciso tirar carteira...
E estudar espanhol, arranjar passaporte, uns cachecóis e um mochilão. Um tênis novo, uma chinela de couro e uma Melissa vermelha. Ah, e mais meias.

Preciso também de uma máquina fotográfica, um mp3 e uns fones bacanas. Tomara que por lá se ache fácil barras de cereais, tenho medo disso de comida. Será que suco é caro? Bogotá terá mesmo cheiro de goiaba?

Já terei passado por dois recitais.
E talvez você voe de novo logo depois da chegada. Talvez eu num tenha mais emprego e vá para o cerrado. Talvez nada disso dê certo.

Mas é lindo imaginar, inda mais que eu super acho digno. Inda mais indignada como tô hoje. Simplesmente porque te amo.



[com.ti.go]
Posso ouvir a música de novo.
Quem sabe agora descubro nome, letra, banda.
Tenho descoberto tantas coisas...
Até me achei!



[ao desconhecer - 21fev09]
amnésia com trocanésia.
prestou pra eu rir e pensar:
esquecer e deixar estar.
é isso.



[como deve ser - 21fev09]

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Precoce.
Tardia.

Mansa.
Conflituosa.

De doces.
De salgados.

De muitos.
De poucos.

Musical.
Musicista.

Teatral.
Dançarina.

Comediante.
Dramática.

Parcimoniosa.
Drástica.

Noturnas, noturnas...
Amantes do sol, devotas da lua, coloridas de flores, regadas pela chuva, atentas às formas, livres de fôrmas, donas das letras, voadoras borboletas.



[Más sabrosas]
Lá, naquele tempo da paciência, ela poderá publicar "O livro das epifanias de mim". Talvez numeradas de trás para frente, como ela lê as coisas, levando de volta ao quando a devastação renovadora começou.

Então, pode ser que o divino se materialize, naquele conjunto de registros do cotidiano, em que cabe uma enorme diversidade. E, pode ser que isso responda o que faz dali o tempo da paciência.
E ele assim possa ser mesmo.

Espero estar lá.



[Previsão do tempo]
Olhar nos olhos e ser simplesmente curiosa: você tá esperando qual?
Dois, três gracejos, riso à vontade com dentes pagos, mãos nos joelhos, unhas bem feitas, harmonia nos tons. Já com os pés nos degraus, pausa para um aceno e um sorriso. Foi-se e fiquei eu, marejados olhos, sentindo que é por essas que vale. É por essas que vale.



[velhasimpatia]

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Na mesma proporção:
uma chiliquenta, a outra agoniada.
O mais grave disso?
O conforto que sinto sendo o recheio desse sanduíche...


[Sabrosas]
Nós precisamos de mais vestidos.
E de caminhadas ou corridas.
E de voltas ou de idas.
E de saias coloridas.

Precisamos de mais sorvete
e da lua
e do mar.

Precisamos de mais árvores - você já viu um baobá? -, de mais flores, de novos amores, de calma pra plantar.
Precisamos de mais disciplina, de mais adrenalina, de livrar das toxinas e de um fusca amarelo-pintinho.
Precisamos de dar tempo ao tempo, de conseguir assistí-lo passar, de não deixá-lo nos assustar, nem marcar como ferro em brasa.

Precisamos buscar mais músicas, gastar as folhas dos cadernos, as pontas dos lápis de cor e o conteúdo das sombras.
Precisamos não tentar precisar o que é vago,
achar um conforto,
um jeito,
um tom.

Precisamos daquilo de bom que já temos,
regado com tudo o que de melhor podemos,
podando toda e qualquer daninha.

Precisamos do sol e da chuva, de riso de criança e de borboletas.
Precisamos acreditar no lá que quem pouco vê, já viu.
Precisamos de outras personagens, para cada dia, ao cair da tarde, aquela luz pintar o sonho que a gente inventou.



[Em par, entre ímpares]
Eu não quero menos. Não quero.
Sem saber, continuaram os mimos de infância, me deram do bom e do melhor.
Resultado: só quero se for dali pra lá.

Assim sendo, que feche.
Que finde essa história de tanto, apesar de tão pouco. Há mais à espera, bem aqui: cinema em meio de semana, passeios no rio com pôr-do-sol, conferências marcantes, lisonjeios e elogios aos dotes, instigantes projetos.

Que feche.
E o mais se abra.



[16fev09, saber acabado]
Uma girafa hipocondríaca, que se acha padecendo de platônico enamoramento por uma flor.

Essa flor, submissamente contorcionista, sempre à merce do quão torta lhe deixem, com um sorriso simpático, típica acrobata do circo Firuliche.

Um rato gordo, de pijama de listras e orelhas baixas, olhar lânguido e sorriso carente, vitimizando-se pelo que ele não soube conquistar.

Um javali epiléptico: se puxado à vida, ele se treme, treme, treme, treme...



Essas são as pelúcias de minha casa.
Normalidade?!
Pedir demais!



[16fev09, depois do furos]

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Eu tenho uma entidade. Juntas, fazemos par com outra.

A compreensão de mim está muito ao Léo, bem como minha paz se acha nos a.braços de uma rainha do a.mar. Mesmo eu sendo dama de águas doces.

Prefiro os sabores ácidos e amargos. Chocolate já nem tanto acompanha. Estudo um instrumento de cordas que me fez cortar as unhas e amar calos, achando um jeito de entre suavidade, precisão e força.

Convenci um de que sou chata, mas ele sentiria falta, só pelo feminino presente. Justo eu, que muito macho faço até cimento.
Para outra, que me soa saborosas familiaridades, sôo João e Maria.
Benção.

Me esparramei nos depoimentos de uma flor-menina, que nem o carinho-cuidado que resguardo se esparramou nos chiliques dela.

Convergindo mals gostos, saboreei nas madrugadas a conquista de um amor de porcaria, que me deu mais fôlego para acontecer do que sabe.

Tenho um filho fantástico, preciso, assertivo, minucioso, delicado, sagaz. Assim como a pequena que subiu comigo lá onde tinha jeito de infância ao descer.
E quero o conforto daquela que se recolhe e só.

Não vou embora agora.
E talvez tenha mentido pro chefe: acho que ainda quero ser gente grande.


Desde que com calma.



[Palavrórios devanêicos]

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Foi numa noite de lua cheia e socialismo, ao som do mar.

Aquela tanta empolgação,
aquela toda realização,
o encontro com as coisas como elas são,
o cotidiano visto nos olhares e palavras
trocados diretamente.
Uma entrega inusitada ainda que óbvia, a estréia tardia de algo bem conhecido, o direito à incoerência, o aliviar de um afã,
uma troca de sinceridades.

Deu-se, então, uma emergência.
Revigorada, surgiu diante de si
plácida,
disposta a armar-se para a guerra, sentindo as pequenas potências.
Reencontrou-se.
Desde então, anda a cantar e dançar bobagens, a celebrar a loucura, a elaborar miúdos planos, medidos pelos pés e passos,
mãos e sonhos
de vendaval.
Sabe que eu já tava achando bom?
Fogo de revirada.
Só que acho que assim mesmo vai ser mais divertido.
E com calma, por favor.
Pois tanta revirada desajusta e cansa.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Ligou quando quis.
Pediu o que confiava ouvir, contou o que podia falar, sabia que ali era casa.
E no desabafo fez descobrir mais presente do que jamais suporia. Mas sentia.
Daí que não me importam todas as profecias, todas as certezas pra muitos estabelecidas. Ando apegada à minha arrogância, disposta a teimosias, a boas brigas. É outra, a relação é outra.
Por isso atendi.
Por isso nos ligamos.
Por isso, amo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

À minha mãe, Guiomar.


Jamais poderei ouvir Roberto Carlos sem pensar em você. Se ele tiver cantando os caracóis tão seus, tão nossos, o choro será também inevitável. Fiquei chata, muitíssimo, amarguei cedo. Isso muitas vezes me faz agoniar com seu ritmo, seu jeito, horas tão diferentes dos meus, hora tão parecidos. Mas nada diz de aconchego como a lembrança de deitar com a cabeça nas suas costas, debaixo do cobertor Paraíba marrom. Nada diz de verdades do mundo como a lembrança do teu choro das dores tantas e do teu riso das bobagens simples.

Você teria voado além do sonho, se tivessem te dado asas formais. Você coloriu e cantou e pôs muita delicadeza em muitas vidas, em muitas gerações. Você me mostrou a coragem banal que é necessária para partir, atrás do desconhecido que atrai mais que o esperado. Você tem a força vigorosa das mulheres mitológicas do rio caudaloso, guerreiras furiosas, loucas de vida, como ouso carregar nos meus olhos e ombros.

Você me pariu com música e aí eu fiquei assim, cadenciada, sonora, expandindo-me onde houver ar. E eu jamais poderei agradecer o suficiente. Abri mão das unhas fortes que sempre foram a tua vaidade para fazer música, um muito na esperança de fazer soar beleza no mundo como você tem feito, nesses sessenta e seis anos.


Espero ser para ti apenas isso: parte bem semeada da jardinagem que compões todo dia.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

the lights go on
the lights go off
when things don't feel right
i lie down like a tired dog
licking his wounds in the shade

when i feel alive
i try to immagine a careless life
a scenic world where the sunsets are all
breathtaking

[Beirut, Scenic World]

___________________________________________

Quisera eu me pôr de modo a perder o fôlego e, assim, vazia de ar, esvaziar-me de mim. E descansar...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Mafalda diz:
BsB é mais perto da Venezuela. Seus irmãos são divertidos. Nossa luz está mesmo nos olhos da IsaBela. Porque não ir? Se nada der certo, a Isolda Gunther ainda está por lá, na mesma UnB que deve ter escola de música. Poderia até conviver com a loucura de uma paixão e não enlouquecer. O fundo de Seu Cardoso teria um só destino: ponte aérea BsB-Nat.
Mafalda diz:
Para vc vir ou eu ir - passo de novo pela solidão da Bahia nem a pau. Liberdade? Parcela; pode incluir na planilha. Se d. Gui não reclamar mais do que como fez com o fogão companheiro da BeBel, pode ser a tal da moto. Se ela reclamar, vira fusca. Voa. Voa.
___________________________________

Juro que tento ir sem muita dor,
me agarrando à noção de que será
como tem sido com outros:
como se nada mais tivesse acontecido que anoitecer e amanhecer...

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Você e suas descobertas.
Você e seus presentes.
Você...

Nós e nossas veias abertas.
Nós e nossas quedas.
Nós e nossos ombros cansados.
Nós e nossos bordados.
Nós e nossos presentes trocados.
Nós e nossos amores truncados.
Nós...

Ainda bem que, ao menos, pode ser assim, no plural.



[para Keyla, em 31jan09. para Candida, em 01fev09]
Teria fumado, se embriagado, comido doces, faxinado, vagado na noite sozinha. Mas nada cabia, nada parecia à altura, pois acima daquela primária dor de saudade, tudo era muito diversão e beleza. Foi quando viu o plástico de bolinhas.

Calmamente, pôs os dedos em ação. Plect, plect, plect... A cada bolinha, tantos quantos pensares-dizeres-sentires:

galado.bonito.sacana.sorriso.safado.comp
romisso.descarado.assumido.escorregadio.
cativante.arredio.confiante.indecente.coe
rente.saliente.evasivo.olhar.invasivo.esc
racho.fuga.encontro.cantadas.diálogos.conf
issões.entrega.canções.noites.convites.ab
raços.cabelos.vestidos.elogios.militância.
sorvete.recomeço.rebuliço.revolução.socia
lismo.lua.rua.praia.chamego.desejo.beijo.
dedos.vapores.suores.sabores.riscos.recei
os.desenho.afagos.formas.outras.tantas.vi
ndas.ida.voltas.curvas.ancas.lágrimas.inq
uietas.pernas.lembranças.alento.fidaputa.
momentos.único.

Assim, como a mais dedicada das carolas ao rezar um terço, foi dando cabo das bolinhas, carpindo a partida do homem. Achou outros pedaços de plástico e concluiu que talvez precisasse de alguns metros. Riu sozinha, imaginado-se mergulhada num mar de plástico de bolinhas.

Riu?
Riu.

O choro não era dele, nem tinha sido com ela. Juntos, tinham sido diversão e beleza. Então, agora sim, fez jus.
Se isolando para suportar um desencontro, perdeu de encontrar outros. Quando foi lá, mal deu tempo. Agora, suporta com Baden aos ouvidos e Vinicius aos olhos:

"e as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo a saudade de seus homens"

[trecho de "Mensagem à poesia"]

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

No calor do impulso, não havia espaço para a dúvida, era pra ser uma interrogação. Mas, por obra de mavioso acaso, eis que foi um ponto.
Ao vê-lo, senti a deixa.

Há muito, o esforço é de me pôr limites. Forte, resiliente, ousada? Sim. Mas nem por isso é preciso suportar. Algo em mim diz: basta. Aí, ela me mostra a música e eu concluo - esse ainda não é o tempo da delicadeza. Então, assumo a possibilidade da dúvida e me concedo a negativa.

Por mim, por ti, pelo amor,
sinto que a hora é de sustentar o não.
De deixar para depois, para outro momento, de expôr-me ao risco do arrependimento, de privar-te do desprazer do encontro com o que de buliçoso tens apenas por existir.

O prazer sempre foi enormemente intenso, só que já não supre, não compensa, tão fulgás... Deseje comigo que eu consiga e entrega também ao acaso.
Sente o amor que eu te mando no vento.
Se cuida.
Voa.

Revolta

Alma que sofres pavorosamente
A dor de seres privilegiada
Abandona o teu pranto, sê contente
Antes que o horror da solidão te invada

Deixa que a vida te possua ardente
Ó alma supremamente desgraçada.
Abandona, águia, a inóspita morada
Vem rastejar no chão como a serpente.

De que te vale o espaço se te cansa?
Quanto mais sobes mais o espaço avança...
Desce ao chão, águia audaz, que a noite é fria.

Volta, ó alma, ao lugar de onde partiste
O mundo é bom, o espaço é muito triste...
Talvez tu possas ser feliz um dia.



[Vinicius de Moraes]

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A acrobata

Luz Marina Acosta era menininha quando descobriu o circo Firuliche.
O circo Firuliche emergiu certa noite, mágico barco de luzes, das profundidades do Lago da Nicarágua. Eram clarins guerreiros as cornetas de papelão dos palhaços e bandeiras altas os farrapos que ondeavam anunciando a maior festa do mundo. A lona estava toda cheia de remendos, e também os leões, aposentados leões; mas a lona era um castelo e os leões, os reis da selva. E uma senhora rechonchuda, brilhante de lantejoulas, era a rainha dos céus, balançando nos trapézios a um metro do chão.
Então, Luz Marina decidiu tornar-se acrobata. E saltou de verdade, lá do alto, e em sua primeira acrobacia, aos seis anos de idade, quebrou as costelas.
E assim foi, depois, a vida. Na guerra, longa guerra contra a ditadura de Somoza, e nos amores: sempre voando, sempre quebrando as costelas.
Porque quem entra no circo Firuliche não sai jamais.



[Eduardo Galeano, em Mujeres]

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Meu limite?
A descobrir.
Minha vontade?
A rever.
Meu momento?
A administrar.
Meu tempo?
É quando, disse o poetinha.

E aí, quase desmanchando, respiro fundo e guardo as lágrimas. Ok. Entendido. Bora lá...

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Na noite suada sem vento
em ti derreto,
passeando dedos entre
cabelos,
pernas
e beijos.

Olhar direto,
sorriso íntimo
e o encaixe intenso
resume o encontro:

molecagem na horizontal.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Antes fosse uma bicicleta ou uma jamanta.
Mas o que me atropelou foi o inesperado.
Tem muito mais verde nas conversas salvas. Nelas, quem fala muito sou eu. Relendo-as, (re)encontro nas tuas poucas palavras precisos toques em mim, mais ou menos assim, entre as juntas dos dedos.
Ali, registradas, elas continuam me cutucando.

Sinto falta de olhar nos olhos.
E de te ouvir, de novo vendo as pernas tomarem um certo sossego.
Elas merecem. Mais ou menos assim como eu mereci te descobrir de verdade (se é que isso realmente aconteceu).

Me causa estranheza essa forma de contato. E, diante dos porvires, ela será a única possível. Lamento.
Juro como merecíamos mais.
Vaidade: juro como queria mais.
Mais uma dose do melhor veneno antimonotonia...
Textos, textos, textos.
Me trazendo o quê mesmo que me agrada no teatro, o que falta na música, o que não ficou óbvio no poeta, o que não sei de um monte de coisa, o que é importante em um monte de coisa que já sei, mas quase esqueci.

As letras aparecendo na tela me remetem ao filme, que me remete à realidade, que me remete à fantasia.

Falta um mês pro carnaval. Ainda não é tempo das fantasias que compensam. Então, o que fazer com essas que insistem em profanar a rotina?

domingo, 18 de janeiro de 2009

Domingos

Num, fim de luz de fim de tarde, e a mesma praça se mostra outra. Me encontro outra, ao sentir outra (leve) saudade.

Noutro, luz branca natural de lua, seguida de luz amarela artificial de ousadia, seguida de luz natural de sol, começando o dia. Quem diria...

Nesse, luz de meio-dia, aquecendo palavras de entrega inteira, dando outro tom à pele que, mais tarde, vê a luz de fim de tarde, em cores outras. Me sinto outra, ao encontrar a mesma (densa) saudade.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Pelo sorriso exclusivo, à meia-luz.
Pelo que de bicho requer respeito.
Pelo compromisso que assumi comigo.
Pelo lugar outro que assumiu.
Pelo tanto que quero mesmo isso.
Pela liberdade de poder.
Pelo bem que faz.
Pelo caos que preciso.
Pela musicalidade do sussuro.
Pelo apreço à lua, à rua, à madrugada.
Pelo que surpreende.
Pelo que há de lícito em desejar.
Pelo valor da entrega.
Pela confiança.
Pelo apreço em saber par.
Pelo carinho.

Acima de tudo, por ter sido.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Texto de Sagitário

Apaixonado pela ninfa Filira, Saturno ia visitá-la todas as noites sob a forma de um centauro.
Mais tarde, quando Filira deu à luz um ser metade homem e metade animal, ela ficou tão horrorizada que implorou aos deuses que a cegassem, que a fizessem louca para que ela nunca visse aquele horrendo ser que havia gerado.
E Filira morreu sem saber que havia dado à luz o centauro Quiron, a mais sábia de todas as criaturas da floresta.
Um dia, por engano, Hércules acertou em Quiron uma de suas flechas embebidas no sangue venenoso da hidra de Lerna. Quiron não podia morrer, porque era filho de um deus. Mas as dores que o torturava eram tantas, eram tão fortes, que a mulher que amava Quiron implorou aos deuses que o libertassem daquela imensa agonia.
E os deuses concederam. E Quiron foi vitrificado sem dor e visível pra sempre, na bela constelação de Sagitário.






Oswaldo Montenegro
Muitos giros.
Meus, dos ventos, de minhas saias e idéias.
Onde páro?
Num suspiro pelo olhar de não sei quem...