A minha curiosidade me põe em situações delicadas
a minha flexibilidade me põe as pernas sobre o assento
o meu calor me põe os cabelos em coques
o meu medo me põe o olhar vão.
Enquanto isso,
deslavada,
a memória do teu abraço me põe em desordem os desejos...
[lógica de inconveniência]
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Eu poderia apenas fazer de conta.
Mas o colar que mais me encantou também tem cetim
e eu curto mesmo são dados de realidade,
viciados para caírem
com o lado doce para cima.
Teimosamente,
com seus olhos que a moça adjetivou montanhosos,
se apossou do que eu precisava dispor:
afeto.
Assim,
a cada dose de saudade de porvires,
te consolido em mim.
Concreto,
suave
e bem quisto.
Como um arranjo de graves ou flores...
Mas o colar que mais me encantou também tem cetim
e eu curto mesmo são dados de realidade,
viciados para caírem
com o lado doce para cima.
Teimosamente,
com seus olhos que a moça adjetivou montanhosos,
se apossou do que eu precisava dispor:
afeto.
Assim,
a cada dose de saudade de porvires,
te consolido em mim.
Concreto,
suave
e bem quisto.
Como um arranjo de graves ou flores...
sábado, 12 de setembro de 2009
Palavras bem amarradas,
contando como as possibilidades são que nem pipas leves e coloridas:
voadeiras.
Sobre a mesa,
impressões e constatações subversivas,
posto que é mesmo sob os versos cotidianos
que se esconde a perigosa chance de mais.
Jorra, então,
o conforto em estar,
assim
tão diversamente em par
saboreando cor de flor,
luz de brisa noturna,
perfume de livre caminhar...
[TriânguloAmoroso]
contando como as possibilidades são que nem pipas leves e coloridas:
voadeiras.
Sobre a mesa,
impressões e constatações subversivas,
posto que é mesmo sob os versos cotidianos
que se esconde a perigosa chance de mais.
Jorra, então,
o conforto em estar,
assim
tão diversamente em par
saboreando cor de flor,
luz de brisa noturna,
perfume de livre caminhar...
[TriânguloAmoroso]
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Em meio ao forte cheiro de esgoto curtido, o que brilha são os olhos do menino diante da novidade e uma bolsa velha. O homem velho e sujo levanta do chão, próximo à fossa, e entra na casa, levando consigo mais uma das fortes impressões de que, nesse universo, não houve registro do que significa dignidade. Enfim, acharam-se os documentos, a mulher vem pra fora, o velho volta, se agacha com a naturalidade das crianças, manipula pedras, pedaços de si, vestígios de loucura. O som alto invoca uma aura de encanto, o homem bêbado pede permissão pra sonhar; na frente, sobressaem as caixas de som e a menor criança sobe num tijolo em meio à lama. Outros papeis surgem muito bem guardados em sacos plásticos, a criança maior volta, olha o velho sem afetos, toca a mãe com descaso. Vejo na jovem as curvas de que falou o arquiteto, busco um mínimo desse enlevo e encontro as costelas finas da criança, penso nas distâncias, na diferença, nas ausências...
[Alto do Céu, João Pessoa, Abril de 2006]
[Alto do Céu, João Pessoa, Abril de 2006]
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Queria ser uma sereia.
Só que de rio.
______
Eu sou a sereia do mar
Eu tô deitada na areia
Tô ouvindo teu cantar
O carimbó é muito quente
Da cintura prá baixo eu sou peixe
Da cintura pra cima eu sou gente
No meu barco à vela
Viajo a noite inteira
Com o poderio da sereia
Enfrento a cachoeira.
|Sereia do mar - Verequete|
Só que de rio.
______
Eu sou a sereia do mar
Eu tô deitada na areia
Tô ouvindo teu cantar
O carimbó é muito quente
Da cintura prá baixo eu sou peixe
Da cintura pra cima eu sou gente
No meu barco à vela
Viajo a noite inteira
Com o poderio da sereia
Enfrento a cachoeira.
|Sereia do mar - Verequete|
Molho de pimenta,
salada com azeitona,
suco de fruta sem açúcar,
água de côco gelada,
sorvete de bacuri.
Vento na beira do rio e risadas de criança.
E o teu cheiro.
Luzes noturnas, muitas curvas, unhas roídas,
mãos espalmadas, pernas entrelaçadas,
coque desfeito, o cordão enroscado no anel,
água fria, corpos quentes.
Tudo isso por causa de um sim. Porque sim.
Por você e por mim...
salada com azeitona,
suco de fruta sem açúcar,
água de côco gelada,
sorvete de bacuri.
Vento na beira do rio e risadas de criança.
E o teu cheiro.
Luzes noturnas, muitas curvas, unhas roídas,
mãos espalmadas, pernas entrelaçadas,
coque desfeito, o cordão enroscado no anel,
água fria, corpos quentes.
Tudo isso por causa de um sim. Porque sim.
Por você e por mim...
Da primeira vez, foi parte do começo das muitas cinzas daquela quarta-feira. Agora vem de novo, amansando com essa musicalidade confortável que só Cartola tem, dando todo o sentido que colorida e suavemente me liberta.
Com três diferençazinhas -
ainda sei amar,
merece
e meu coração está quentinho, quentinho.
Ei-la:
Esquece o nosso amor, vê se esquece.
Porque tudo no mundo acontece
E acontece que eu já não sei mais amar.
Vai chorar, vai sofrer, e você não merece,
Mas isso acontece.
Acontece que o meu coração ficou frio
E o nosso ninho de amor está vazio.
Se eu ainda pudesse fingir que te amo,
Ah, se eu pudesse
Mas não quero, não devo fazê-lo,
Isso não acontece.
|Acontece - Cartola|
Com três diferençazinhas -
ainda sei amar,
merece
e meu coração está quentinho, quentinho.
Ei-la:
Esquece o nosso amor, vê se esquece.
Porque tudo no mundo acontece
E acontece que eu já não sei mais amar.
Vai chorar, vai sofrer, e você não merece,
Mas isso acontece.
Acontece que o meu coração ficou frio
E o nosso ninho de amor está vazio.
Se eu ainda pudesse fingir que te amo,
Ah, se eu pudesse
Mas não quero, não devo fazê-lo,
Isso não acontece.
|Acontece - Cartola|
terça-feira, 11 de agosto de 2009
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
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