Na última grade da fruteira, colocou as revistas.
Pensou na mãe sempre repetindo que comida deveria ficar longe do chão e na prima, às costas dela, dizendo que, se assim fosse, quê seria das melancias? E as macaxeiras?
Aos poucos, tudo se punha no devido lugar.
O latido da cadela agonizante soava como a materialização da teimosia - além de não morrer, ela ficava ali, jogando na cara do mundo o sucesso de sua insistência em ficar viva. Lembrou da afirmativa associando teimosia e burrice. O que lhe estaria movendo, agora?
Nos tempos de cigarros e bares, talvez isso fosse pauta de debates acirrados. Por hora, simplesmente agradecia a chuva e a furadeira do vizinho, abafando o latido da cadela e o sentimento de paridade com ela, enquanto saboreava os pés no chão frio e limpo daquela nova morada.
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