A teimosia não o deixa aceitar colocar a valise sobre a cadeira, de modo que ela permanece sobre o chão enquanto ele a arruma. Para isso, dobra a coluna exatamente como os ortopedistas dizem que ninguém deve fazer. Quando ela cansa, ele dobra os joelhos sentando-se sobre uma das pernas, evidenciando o poder da genética: vi vários de nossa terceira geração fazerem igual.
Já que não pode simplesmente dispensar as roupas, escolhe entre as mais velhas, amaciadas pelo uso muito. Se fosse anos antes, vendo-nos aprontar uma bagagem daquele modo, nos daria uma bronca, tamanha a desorganização. Mas agora ele pode dar-se a esses e outros direitos, como pentear os parcos cabelos com escovas de lavar roupa, passar o dia inteiro com a mesma cueca e, muito sutil e manhosamente, pedir que lhe sejam tirados os cravinhos das costas.
Vendo as curvas ganhas nos últimos anos, as quais ainda me causam estranheza, fico imaginando minha filha aconchegada nelas e penso que ali é uma das casas da felicidade.
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