terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Duas pessoas não podem se cruzar na véspera, mas somente quando amadurecem para o encontro; amadurecer não somente nas inclinações, mas no íntimo.



Tita Mendes

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

No chão de palha e espinho, sob frio de chuva e calor de fogo, comunguei feminilidades.
Da beira do açude, pedi aos raios que desmanchassem minhas tristezas e à lua que clareasse os caminhos.
No escuro da gruta, confiei nas mãos estendidas e me desfiz de um medo.
Ganhei uma pedra e monte de alívio no meu coração.
De alma lavada e defumada, sigo trinta adentro, com força e amor, em busca de paz.



[Bienvenido 2010]

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Percussão de paz:
teus cabelos batucando barulho de chuva no meu capacete,
sob a noite morna.



[29dez09]

domingo, 20 de dezembro de 2009

Shopping, mês natalino, fim de expediente, dia da promoção do cinema, praça de alimentação.

Como abençoado é o inusitado, neste contexto dos mais desfavoráveis, a poética do cotidiano se encenou: um casal de jovens senhores - casa dos "enta", cabelos grisalhos, rugas respeitadas, tons sóbrios - namorava. E corou e riu muito diante da pergunta: os pais de vocês sabem que vocês estão namorando no shopping em plena quarta-feira?

Diante da brincadeira que se encerrou em elogio, me pergunto quem terá vivido o momento mais epifânico. Nós ou eles?

sábado, 19 de dezembro de 2009

Começou a juntar as peças de roupa como num resgate das tripas para o devido lugar.

Caso só estivesse, teria fumado, para ter uma companhia meramente calorosa. Em respeito aos que estavam do outro lado da porta, alheados da imensidão de dor sentida do lado de dentro, apenas cuidava para não escorregar no que das lágrimas chegava ao chão. E aquilo se lhe mostrou como o fundo do poço.

Pensou que, para sempre, a imagem do inferno lhe seria aquela:
seu niño
de branco
descalço
sentado entre hostis estranhos.

Jamais pensara que cores lhe agrediriam. Dissera que por ninguém se sujeitaria. E eis que, naquele momento, enquanto juntava as roupas se esforçando por admirar-lhes as cores, soube que iria. Dobrada a última peça, respirou fundo e olhou para a porta.

Em seguida,
girou a maçaneta e saiu,
em busca do vento.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Pretendo encher minhas paredes
de muitas cores e formas.
Desenhos, quadros,
bonecas, escritos,
flores, listras,
fitas.

Entre tudo,
um espaço reservado
pra você me emprensar.



[moldura]

sábado, 21 de novembro de 2009

Entre estantes de livros e discos,
suor num tapete de tear e uma breja gelada
afogarão as saudades
desse estar aconchegado,
que achamos nos nossos desejos de estar só
ou somente um tanto mui bem acompanhados.



[esperanza]
A minha transparência é colorida. E tão vívida que ele fácil viu...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

guió é amiga da santa irmã de nêgo (tio); nêgo namora guió que casa com carduzinho (ele... o boto); santa, casada, namora raizão, marido de maria; santa, sem nada de santa, teve com o marido, ray - e não com raizão - claudio; claudio que desde infante ama aline (que também é sua amante) filha de guió com o carduzinho (o boto), que hoje está se sentindo outro animal, zodiacal (ele... o touro); guió, hoje ainda com ele (o boto) é viúva de nêgo, amigo de raizão (que deixou santa também viuva, mesmo com ela não tendo contraído - como se doença fosse - o matrimônio). a materialização desse amor trouxe para carduzinho (o agora zodiacal) a lembrança de um adereço do qual na realidade não foi possuidor, mesmo que merecedor - posto que era ele o boto. diante de tal, ele (o agora zodiacal), não deseja que fruto seu contraia matrimônio com o fruto dos seus áis; enquanto isso, claudio e aline vagam na noite úmida, frutos libertos, sorrisos abertos, exalando bem-querer...



[crônica.de.uma.loucura.(des)velada]

domingo, 1 de novembro de 2009

Tá no vento.
Vento eu, vento eles.
Movimentos diversos - das fitas, folhas, cabelos -
e essa falta de palavras, deixam algo
em suspenso.

E eu que espere, dedilhando as notas do baixo na coxa com a mão direita...



[ansiedade]
Penso em arriscar um convite para o cotidiano.

Como itens do pacote, te servir pratos coloridos em pratos coloridos, desejando acima de tudo saborear o seu sorriso.
Falar das imagens que me encantam, das letras que te componho em mim.
Perguntar das tuas saudades, dos teus medos, dos desejos.
Sentir sua fortaleza e o conforto das tuas mãos nas minhas.
Me desmanchar sentindo no meu peito o pulsar do teu, diante da volta.


Te plantar no meu jardim, regando a minha felicidade com o seu olhar.



[SemeaduraDoAmordeNós]
É um muito assim que quero a morada nova com que sonho todos os dias. Todos os dias. Aquela em que estamparei paredes com estênceis e etc, onde usarei os talheres amarelos numa mesa redonda e espanarei os livros em estantes nada banais.

domingo, 25 de outubro de 2009

Peixe cozido no almoço
samba pra lavanderia
bromélias silvestres no quintal
furadeira em punho
cortinas entremeadas
tangerinas na madrugada
e as mesmas fitas de cetim



E assim se acha aconchego numa casa cheia de tortas linhas retas.



[pédomorroàesquerda]
10 a 15 caixas de biscoito cream cracker. No máximo.
Dobrando direitinho, empilhando da melhor forma,
é disso que eu preciso para guardar tudo o que é de meu uso direto e exclusivo.

Conclusão: meu essencial cotidiano ocupa pouco espaço.
Inversamente proporcional aos meus anseios, que se espalham por onde houver ar...
Vezenquando clichês são bem-vindos, não somente pelo momento, mas pela fonte. Graças à senhorita, volto sorrindo ao clichê de que 'nada é por acaso'. Afinal, não creio que haja acaso em sua revisão parar nas minhas mãos, e eu fazê-la junto com você, nessa sua gana inimáginável a quem se atenha à sua fala de gata mansa.

Convergimos porque assim quis o cosmos, fazendo os meus tomarem os picolés feitos pelos seus, fazendo nossos ouvidos afeitos aos graves, fazendo do ensino nossa meta, fazendo da seriedade nosso estilo, fazendo do mundo nosso lugar.

Ou seja, agrego-te como mais um entre os meus presentes de Natal - a cidade, essa cidade, que tanto me deu e que feliz deixo pela sua, tão nossa. E é por isso que lhe agradeço. Não simplesmente pela cordial disponibilidade e boa vontade. Mas por conhecê-las em ti, com muito mais, e me sentir privilegiada na vida.

Muchas gracias, niña!




[Laçodefitacorderosaclaro]

sábado, 17 de outubro de 2009

Léo disse (14/10/2009 às 11:19):
mas, existem mulheres que se destacam, que valem cada lagrima e noites de não sono, que valem livros de poesia e cheiros de rosa pela manhã
vc é uma delas




Enquanto outros não descobrem, é a poética dele que me faz companhia.



[Sempremuitobemacompanhada]

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A minha curiosidade me põe em situações delicadas
a minha flexibilidade me põe as pernas sobre o assento
o meu calor me põe os cabelos em coques
o meu medo me põe o olhar vão.

Enquanto isso,
deslavada,
a memória do teu abraço me põe em desordem os desejos...



[lógica de inconveniência]

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Te invento atraente porque assim convém
à minha necessidade de te achar um possível sossego.
Espontâneo, desfazes fácil meu brinquedo,
entregando toda tua broxante banalidade
dos que querem pouco...



[sonho raso]

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ainda te ouço contar,
cabreiro,
que pego fostes,
por um gostar de soslaio chegado,
súbito susto a te jogar
bem em cheio
nesse balaio-de-gato
que é se ver de amores revirado.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Com cuscuz, queijo de coalho, carne de sol
e suavidade,
quebrei o amargo contemplando felicidade.

Com afeto,
sinceridade e um tantinho de chocolate,
saboreei sorriso de liberdade.

No calor,
com pupunha, Cartola,
Billie Holiday ou Piaf,
vou degustar lancinantes saudades.



[Café.com.Léo]