De perto,
os muitos pelos desenham em teu corpo
curvas e sombras que incitam meus dedos
a passear entre eles.
Da porta,
teu sono nu pediu
o passeio de um lápis grafite sobre papel Canson.
terça-feira, 28 de julho de 2009
segunda-feira, 27 de julho de 2009
essa calma que inventei, bem sei
custou as contas que contei
eu tenho mais de vinte anos
e eu quero as cores e os colírios
meus delírios
estou ligada num futuro blue
[Vinte anos blue - Sueli Costa & Vitor Martins]
_________________________________________
estou ligada num presente green
minhas alucinações
e eu quero os sons e os silêncios
eu tenho quase trinta anos
dispostos a fazer acontecer
essa calma que eu quero viver.
[Trinta anos jazz - Eu]
_________________________________________
Nesse movimento, num cabe tolerância com certos desvarios alheios. Me recolho e cuido dos meus desvarios. E ponto.
custou as contas que contei
eu tenho mais de vinte anos
e eu quero as cores e os colírios
meus delírios
estou ligada num futuro blue
[Vinte anos blue - Sueli Costa & Vitor Martins]
_________________________________________
estou ligada num presente green
minhas alucinações
e eu quero os sons e os silêncios
eu tenho quase trinta anos
dispostos a fazer acontecer
essa calma que eu quero viver.
[Trinta anos jazz - Eu]
_________________________________________
Nesse movimento, num cabe tolerância com certos desvarios alheios. Me recolho e cuido dos meus desvarios. E ponto.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Tive um frio de dormir de meias.
Tive um fio de medo de me perder de mim.
Tive um sonho de acordar suado,
de olhar assanhado
teu jeito de andar.
Tive dores nas costas de tanto sentado.
Tive ardores nos olhos de um consumo desvairado.
Tive vontade de dar uns bons tragos,
mas lembrei o quanto
esse aliviar é vago.
Tive um engano que seria mais fácil.
Tive sérias dúvidas se valeria um tango.
E então,
me enrolo nos panos,
alongo a coluna,
cerro os olhos
e o que vem
é aquele bailado:
eu acordeon entre seus braços...
Tive um fio de medo de me perder de mim.
Tive um sonho de acordar suado,
de olhar assanhado
teu jeito de andar.
Tive dores nas costas de tanto sentado.
Tive ardores nos olhos de um consumo desvairado.
Tive vontade de dar uns bons tragos,
mas lembrei o quanto
esse aliviar é vago.
Tive um engano que seria mais fácil.
Tive sérias dúvidas se valeria um tango.
E então,
me enrolo nos panos,
alongo a coluna,
cerro os olhos
e o que vem
é aquele bailado:
eu acordeon entre seus braços...
terça-feira, 7 de julho de 2009
Eu deixei a louça do almoço
um pedaço de queijo
e um post-it por grudar.
Deixei que você me tomasse
ao sabor da chuva
a pele em braile
a alma em brasa.
Eu fervilhei boas idéias
desejos indecentes
medos insanos
planos para tocar.
Desde então,
ronca dentro um vazio das plantas que abandonei,
dos dedos entrelaçados,
das cotidianidades sobre as mesas,
dos encantos confessados,
das sutis carícias de porvir.
Deitada, no frio da madrugada,
suspiro e salivo.
[fome.em.ti]
um pedaço de queijo
e um post-it por grudar.
Deixei que você me tomasse
ao sabor da chuva
a pele em braile
a alma em brasa.
Eu fervilhei boas idéias
desejos indecentes
medos insanos
planos para tocar.
Desde então,
ronca dentro um vazio das plantas que abandonei,
dos dedos entrelaçados,
das cotidianidades sobre as mesas,
dos encantos confessados,
das sutis carícias de porvir.
Deitada, no frio da madrugada,
suspiro e salivo.
[fome.em.ti]
sexta-feira, 3 de julho de 2009
É bem possível que, ainda agora,
o motorista do ônibus não saiba porque
freiou para a borboleta passar:
apenas fez.
Inusitado assim foi que aconteceu.
E encantou,
dando tons vividamente
bem-vindos.
Talvez, por isso mesmo,
sorrateiro esmaeceu,
desbotou,
tal qual por descuidado mal tingido.
Como nem sempre se pode
contar com a poética do inusitado,
muito há de admirar o pintor esmerado,
atento à técnica
que lhe traduz o afetos.
Pois aquela borboleta nem sabe
do sorriso que ela me deu...
Mas o motorista sabe.
o motorista do ônibus não saiba porque
freiou para a borboleta passar:
apenas fez.
Inusitado assim foi que aconteceu.
E encantou,
dando tons vividamente
bem-vindos.
Talvez, por isso mesmo,
sorrateiro esmaeceu,
desbotou,
tal qual por descuidado mal tingido.
Como nem sempre se pode
contar com a poética do inusitado,
muito há de admirar o pintor esmerado,
atento à técnica
que lhe traduz o afetos.
Pois aquela borboleta nem sabe
do sorriso que ela me deu...
Mas o motorista sabe.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Não estava ao pé do palco,
mas eu pensei quando lá subi.
Não estava para dispensar o queijo,
mas eu pensei ao ardor suave de cada pimenta.
Não estava para o forró,
mas eu pensei que saberia da sanfona.
Não estava para cantar no carro,
mas eu pensei nas não-canções que lembraria.
Não estava para o baião-de-dois,
mas eu pensei no outro bolo que faria, por mimo.
Não estava para o rio, o remo, a canoa,
mas eu pensei enquanto dançava, liquefeita.
Pensei: estará sempre,
... nem que seja nas muitas doses
..... de saudades desprendidas
... ao Léo ...
mas eu pensei quando lá subi.
Não estava para dispensar o queijo,
mas eu pensei ao ardor suave de cada pimenta.
Não estava para o forró,
mas eu pensei que saberia da sanfona.
Não estava para cantar no carro,
mas eu pensei nas não-canções que lembraria.
Não estava para o baião-de-dois,
mas eu pensei no outro bolo que faria, por mimo.
Não estava para o rio, o remo, a canoa,
mas eu pensei enquanto dançava, liquefeita.
Pensei: estará sempre,
... nem que seja nas muitas doses
..... de saudades desprendidas
... ao Léo ...
domingo, 21 de junho de 2009
Eu perguntei.
E sua resposta me soou evasiva.
Clássico...
Pior, só o romantismo.
Quadradinho de All Star,
não sabe da visão política,
acha que discutir seria divertido,
gosta de cachos,
encabulou-me pelas pernas,
invejou a barba do meu filho,
curtiu o duelo embaçado e casual,
entre as quase concessões
que não fazemos por fetiche
no negociar.
E fica.
Com tudo, com tudo,
fica.
Como eu fico.
Posto que me divirto.
Ensaio, provoco, instigo.
Aprendo, brinco.
E sou feliz.
[IC.voluntário]
E sua resposta me soou evasiva.
Clássico...
Pior, só o romantismo.
Quadradinho de All Star,
não sabe da visão política,
acha que discutir seria divertido,
gosta de cachos,
encabulou-me pelas pernas,
invejou a barba do meu filho,
curtiu o duelo embaçado e casual,
entre as quase concessões
que não fazemos por fetiche
no negociar.
E fica.
Com tudo, com tudo,
fica.
Como eu fico.
Posto que me divirto.
Ensaio, provoco, instigo.
Aprendo, brinco.
E sou feliz.
[IC.voluntário]
sábado, 20 de junho de 2009
Acho que te levo na bagagem
resumido num cd barato,
gravado com a trilha sonora do meu sentir-te.
Três idiomas,
vários ritmos e estilos,
múltiplas predominâncias instrumentais.
Em meio a tanta diversidade,
apenas uma mensagem:
levo-te comigo.
________________________________________________
Jorge Drexler - Deseo
Roberta Sá - Casa pré-fabricada
Julieta Venegas - Andar Conmigo
Kiko Zambiachi - Rolam as pedras
Céu - Mais um lamento
Zeca Baleiro - Telegrama
Talma de Freitas - O seu lugar
Caetano Veloso - You don't know me
Pink Floyd - Wish you're here
João Gilberto - Chega de saudade
Adriana Calcanhoto - Seu pensamento
Lenine - Tudo por acaso
Roberta Sá - Mais alguém
Novos Baianos - Acabou chorare
Chávela Vargas - La llorona
Vanessa da Mata - Desejo
Secos&Molhados - Amor
Beatles - I wanna hold your hand
Céu - 10 contados
Lenine - É o que me interessa
Roberta Sá - Que belo estranho dia para se ter alegria
Zeca Baleiro - Quase nada
Adriana Calcanhoto - Vambora
Tim Maia - Você
[nossalista.emaberto]
resumido num cd barato,
gravado com a trilha sonora do meu sentir-te.
Três idiomas,
vários ritmos e estilos,
múltiplas predominâncias instrumentais.
Em meio a tanta diversidade,
apenas uma mensagem:
levo-te comigo.
________________________________________________
Jorge Drexler - Deseo
Roberta Sá - Casa pré-fabricada
Julieta Venegas - Andar Conmigo
Kiko Zambiachi - Rolam as pedras
Céu - Mais um lamento
Zeca Baleiro - Telegrama
Talma de Freitas - O seu lugar
Caetano Veloso - You don't know me
Pink Floyd - Wish you're here
João Gilberto - Chega de saudade
Adriana Calcanhoto - Seu pensamento
Lenine - Tudo por acaso
Roberta Sá - Mais alguém
Novos Baianos - Acabou chorare
Chávela Vargas - La llorona
Vanessa da Mata - Desejo
Secos&Molhados - Amor
Beatles - I wanna hold your hand
Céu - 10 contados
Lenine - É o que me interessa
Roberta Sá - Que belo estranho dia para se ter alegria
Zeca Baleiro - Quase nada
Adriana Calcanhoto - Vambora
Tim Maia - Você
[nossalista.emaberto]
sábado, 13 de junho de 2009
O nome daquela minha cidade tem acento,
e eis que meus voos não terão mais circunflexos.
Justo eles, que em sua grafia singela
me remetiam ao recostar-se solidário
que manteve vivas a mim e a ela.
O nome dessa minha cidade não tem acento,
e eis que foram-se os agudos de minhas ideias.
Ficam os dos sons, ainda que eu prefira mesmo
os graves, que me deformam os dedos
e redesenham a alma.
O nome daquela minha cidade tem acento,
e eis que para lá vou tranquila, sem trema.
Sem que aquilo que eu tema
paralise o que eu pretenda
para o muito de desejo que em mim tem assento.
[RegrasNovas]
e eis que meus voos não terão mais circunflexos.
Justo eles, que em sua grafia singela
me remetiam ao recostar-se solidário
que manteve vivas a mim e a ela.
O nome dessa minha cidade não tem acento,
e eis que foram-se os agudos de minhas ideias.
Ficam os dos sons, ainda que eu prefira mesmo
os graves, que me deformam os dedos
e redesenham a alma.
O nome daquela minha cidade tem acento,
e eis que para lá vou tranquila, sem trema.
Sem que aquilo que eu tema
paralise o que eu pretenda
para o muito de desejo que em mim tem assento.
[RegrasNovas]
Tive cozinhando galos, numa pausa de muitos compassos,
sentindo se me deixava tontear até parar, lá no fundo,
ou se me esforçava para tirar a cabeça do buraco,
e seguir.
Em meio a furacões, pandemônios e pororocas auto-inflingidas,
corrimões de cuidado e safanões de afeto me empurraram para cima,
dizendo o que preciso para que os fatos possíveis se mostrem
prospecções concretizáveis.
Agora, adonada dos ingredientes de mim, pude responder à sabatina,
assumindo minha causa plenamente ciente dos riscos de vanguarda.
Na ante-sala de ser gente grande, vou alinhavando o que disponho
para a composição da história que haverá do lado de lá,
enquanto giro a maçaneta, no meu ritmo sincopado.
[10jun09.deBandeja]
sentindo se me deixava tontear até parar, lá no fundo,
ou se me esforçava para tirar a cabeça do buraco,
e seguir.
Em meio a furacões, pandemônios e pororocas auto-inflingidas,
corrimões de cuidado e safanões de afeto me empurraram para cima,
dizendo o que preciso para que os fatos possíveis se mostrem
prospecções concretizáveis.
Agora, adonada dos ingredientes de mim, pude responder à sabatina,
assumindo minha causa plenamente ciente dos riscos de vanguarda.
Na ante-sala de ser gente grande, vou alinhavando o que disponho
para a composição da história que haverá do lado de lá,
enquanto giro a maçaneta, no meu ritmo sincopado.
[10jun09.deBandeja]
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Feijão com abóbora no almoço,
ainda saboreando o cheiro do teu pescoço
logo pela manhã
(lembro).
O ouvido encantado
com um solo de baixo numa música mexicana
e a cabeça quebrada
com a frase sincopada de uma música brasileira.
O consciente alvoroçado
com os borbotões de desejos e o que penso
a meu respeito.
O lugar dela deslocado,
a afinidade no meio e a loucura
no que vejo e inexiste:
esquento.
A curiosidade que insiste
e as notas de frente e verso,
caso não, esqueço.
Chuva forte e vento que me esfriam os dedos,
penso na quentura dos teus
sobre a saudade nos poros meus.
Dúvidas que invadem
esse respirar de vontades
que me pesa sobre os joelhos.
Sento.
[sobre ti: afloramentos]
ainda saboreando o cheiro do teu pescoço
logo pela manhã
(lembro).
O ouvido encantado
com um solo de baixo numa música mexicana
e a cabeça quebrada
com a frase sincopada de uma música brasileira.
O consciente alvoroçado
com os borbotões de desejos e o que penso
a meu respeito.
O lugar dela deslocado,
a afinidade no meio e a loucura
no que vejo e inexiste:
esquento.
A curiosidade que insiste
e as notas de frente e verso,
caso não, esqueço.
Chuva forte e vento que me esfriam os dedos,
penso na quentura dos teus
sobre a saudade nos poros meus.
Dúvidas que invadem
esse respirar de vontades
que me pesa sobre os joelhos.
Sento.
[sobre ti: afloramentos]
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Bateu na minha porta,
e hoje entendo que abri nossa salvação.
Homeopatia e overdose,
supra-vivendo pela paridade,
tão por dentro, tão acima, que além
de espaço e tempo.
Na velhice,
diremos do que foi tornarmo-nos crianças
no auge da adultez
(ciranda de carinho).
Teu brilho e beleza,
bolinha de sabão
na praça da minha alegria.
Meu ânimo e firmeza,
galho de gérbera flor
no jardim da tua fortaleza.
[para a Moura]
e hoje entendo que abri nossa salvação.
Homeopatia e overdose,
supra-vivendo pela paridade,
tão por dentro, tão acima, que além
de espaço e tempo.
Na velhice,
diremos do que foi tornarmo-nos crianças
no auge da adultez
(ciranda de carinho).
Teu brilho e beleza,
bolinha de sabão
na praça da minha alegria.
Meu ânimo e firmeza,
galho de gérbera flor
no jardim da tua fortaleza.
[para a Moura]
Por onde elas andavam?
Eu é que andava, sem dar tempo pra elas
por bairros, chãos, praias, falésias,
falácias, paródias, chiados, boatos.
Mas elas acompanhavam
como aqueles cabelos novos na têmpora,
aquela preguiça de acordando,
aquele suspiro de frustração antecipada.
Sempre comigo.
Ressoando, como o mi do gigante alemão na sala,
como a unha roída na noite.
Daí que bastou desaguar questões,
elas vêm,
solidárias,
parceiras,
indóceis,
aliviantes.
Benditas sejam as palavras escritas.
Eu é que andava, sem dar tempo pra elas
por bairros, chãos, praias, falésias,
falácias, paródias, chiados, boatos.
Mas elas acompanhavam
como aqueles cabelos novos na têmpora,
aquela preguiça de acordando,
aquele suspiro de frustração antecipada.
Sempre comigo.
Ressoando, como o mi do gigante alemão na sala,
como a unha roída na noite.
Daí que bastou desaguar questões,
elas vêm,
solidárias,
parceiras,
indóceis,
aliviantes.
Benditas sejam as palavras escritas.
Eu não lembro de música.
____ Só antes e depois.
O cheiro não me deixa.
____ Como o cuidado nunca te deixou.
Eu pensei no abraço.
____ Mas foi ao seu toque que ele desabrochou.
Fantasias passearam meus desejos.
____ E a cada segundo se fazia um carnaval.
Agora deságuam questões – será que você gosta de música latina? E cinema europeu? O que você leu? Que impressão de mim te deixei? Foi impressão minha ou você se emocionou? Temerás se eu falar em ir? Aceitará se eu chamar para cá? O que o cotidiano faria de nós?
|
|
|
Tudo em aberto.
Correrão os dias. Fará as suas, o tempo.
Em mim, o reencontro: profundo alento.
____ Só antes e depois.
O cheiro não me deixa.
____ Como o cuidado nunca te deixou.
Eu pensei no abraço.
____ Mas foi ao seu toque que ele desabrochou.
Fantasias passearam meus desejos.
____ E a cada segundo se fazia um carnaval.
Agora deságuam questões – será que você gosta de música latina? E cinema europeu? O que você leu? Que impressão de mim te deixei? Foi impressão minha ou você se emocionou? Temerás se eu falar em ir? Aceitará se eu chamar para cá? O que o cotidiano faria de nós?
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Tudo em aberto.
Correrão os dias. Fará as suas, o tempo.
Em mim, o reencontro: profundo alento.
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