domingo, 1 de fevereiro de 2009

Teria fumado, se embriagado, comido doces, faxinado, vagado na noite sozinha. Mas nada cabia, nada parecia à altura, pois acima daquela primária dor de saudade, tudo era muito diversão e beleza. Foi quando viu o plástico de bolinhas.

Calmamente, pôs os dedos em ação. Plect, plect, plect... A cada bolinha, tantos quantos pensares-dizeres-sentires:

galado.bonito.sacana.sorriso.safado.comp
romisso.descarado.assumido.escorregadio.
cativante.arredio.confiante.indecente.coe
rente.saliente.evasivo.olhar.invasivo.esc
racho.fuga.encontro.cantadas.diálogos.conf
issões.entrega.canções.noites.convites.ab
raços.cabelos.vestidos.elogios.militância.
sorvete.recomeço.rebuliço.revolução.socia
lismo.lua.rua.praia.chamego.desejo.beijo.
dedos.vapores.suores.sabores.riscos.recei
os.desenho.afagos.formas.outras.tantas.vi
ndas.ida.voltas.curvas.ancas.lágrimas.inq
uietas.pernas.lembranças.alento.fidaputa.
momentos.único.

Assim, como a mais dedicada das carolas ao rezar um terço, foi dando cabo das bolinhas, carpindo a partida do homem. Achou outros pedaços de plástico e concluiu que talvez precisasse de alguns metros. Riu sozinha, imaginado-se mergulhada num mar de plástico de bolinhas.

Riu?
Riu.

O choro não era dele, nem tinha sido com ela. Juntos, tinham sido diversão e beleza. Então, agora sim, fez jus.

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